a cidade boca me murmura
dente me mastiga
bytes me calculam
sonho me delira
movo-me incongruente nos seus sucos
planto rastros nas ruas
brotam lembranças esquecidas
circula uma cidade em mim
circulando na cidade
ao léu
sempre ao léu
mesmo quando o véu da necessidade
faz crer um sentido ao movimento que não cessa
na cidade
da cidade
qualquer
qualquer cidade
mesmo quando esta e só esta
encravada num sertão caipira
mas não é uma cidade universal
um ser-cidade é antes
um estado de cidade
um estalo
um irremediável estar (na) cidade cilada
em frangalhos
desde o nascer
desde antes muito antes
poema e voz: wilton cardoso

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