sou
o que lembro e o que lembro
é mandinga pr’eu ter sido
o que planejei um dia ido
e dolorido não sei se setembro
não sei se me relembro ou a lembrança
que há de vir ao ar se insinuar
é o enchimento amanhã do esvaziar
que ficou perdido na manhã esperança
acordes pobres de pardais infância
fios de postes das catadupas ignoradas
pela alegria brincando sem nada
pensar sobre as pedras da rua sem ânsia
sobre a perda da distância medita esferográfica
sobre a mesa dos tempos idos só doridos
e sarados neste retraçar florido
de alma velha sem viço pra ginástica
ó pardais e jabuticabas bobos e bolos
cidade natal pós-modernamente em cacos
nesta cabaça podre que a guarda saco
de gatos lentos e sem unhas do desconsolo
poema e voz: wilton cardoso

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