quero gozar nesta defunta
mesmo morta eu amo tanto
esta vadia esta puta
possuída pelos homens
quero abraçar as suas carnes podres
sentir o cheiro decomposto
de todos os seus tecidos
já meio misturados com a terra
pelo amor dos vermes
quero beijar principalmente
a sua língua carcomida
quero o último pedaço
dos seus lábios necrosados
na minha boca eu quero
o bafo da sua boca
quero o meu esperma
no seu corpo desconforme
multiplicando-se agora sem ordem
numa vida mais fecunda
do que quando ela vivia
perfumada pelo bares
como eu quero esta defunta!
fazer ela gozar um gozo sujo
fazê-la procriar dez mil demônios
povoar a terra inteira de piolhos
plantar sua demência nas entranhas
deste mundo mapeado
como eu quero este coito pervertido
para que nasça outra coisa
nem humana nem tecido
uma coisa gerada no cu do mundo
para que as almas de si esquecidas
decompostas recomponham
uma nova vida sem rancor
poema e voz: wilton cardoso

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