Player_logo Podcasts Community Create a Podcast

o rosto negro magro de bonfim
entrecortado por profundas rugas
reflete o semblante sombrio da aurora
mas de quando em vez que se abre
em generoso e largo e profundo riso
bril no manto breu da madrugada
madrigal de pontos prata enluarada
resplendendo meia luz de olhos meios
entreabert’em meio à fé a meia vela
em meio ao vale tens razão
em meio à rua geométrica há aromas
sem sentidos nesta bruma negra da noite

um raio de luz de sol fim de tarde
um jorro de palidez no lodo verde do corredor
trás da sala brotam plantas por entre fendas
de cimento enegrecido pelo tempo da casa
um halo de sol penetra o corredor contido
luz vermelha reluz em tijolos vermelhos e exala
o muro a rubrez que só ousa sair fim de tarde
uma pequena flor delica deitada em minuciosos talos verdes
paralelos à parede até a janela vislumbram os olhos
um brilho verde claro e de branco em brancas pétalas
e um pedaço de raio invade a sala obliquamente
e resplenda em alvo tingindo o amarelo de sol fim de tarde
uma alegria esmaecida um frescor de um dia vivido
cor palha e dispersa e difusa ilumina
olhos castanhos espelhos da tarde findoura

a música cai do negro disco impermanente
ao negror do ser impermeável
e penetra o negro véu permanente
em luto pela vida não nascida dentro do ente
e traz alguma cor ao frio cinza recorrente
que se volta num estalo à alma doente
crente estar oculta do ruído externo em eterno céu
seu, a música cai e o silêncio noturno da noite, véu
muito mais que qualquer luto
contra o céu eterneceu e sopra o vulto
incolor que permanece
na impermanência que se esquece

poema e voz: wilton cardoso

[PLAY]