O poema soando pelos poros do silêncio da página é o desejo de som em ato, potência sonora. O que faz a riqueza vocal do poema são as miríades de possibilidades sonoras que ele dispara de seu silêncio congênito. O poema provoca a questão: o que poderia ser o texto enquanto voz, enquanto vozes, enquanto fábrica de fala musicada? Eis seu infinito dilema com o silêncio. É nesta questão, é no permanente adiamento de sua resposta que fervilha a vida fonética da escrita poética. E cada vez que se declama um poema é como se muitas outras possibilidades sonoras se fechassem (muitas vozes se calassem). No poema a música da fala não existe na ação de falar, mas no ato de calar, deixando o texto cantar na mente, no corpo silente do leitor. Iaras de mil árias de silêncio me encantam: cio do som.
texto e voz: wilton cardoso

![[PLAY]](http://ruidosvocais.podOmatic.com/img/play_button.gif)


