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E há também o silêncio dos loucos, que não se opõe, simétrica ou assimetricamente, a qualquer palavra, ou a qualquer outro silêncio. A loucura é um inferno, com toda a sistematização própria aos infernos. É evidente que o vento que circula por dentro dos peixes também é invisível aos loucos — os loucos não sofrem de nenhuma perturbação óptica tão particular. E é evidente que as nervuras que enovelam as planícies e as engrenagens de algum fóssil da linguagem podem ser captadas por um louco, pois que os loucos, além de acuidade visual, se alimentam normalmente, e não desperdiçam o fóssil, ainda que prefiram o físsil. Um louco encontra-se procurado, sem cessar. É quase uma conseqüência lógica, pois, que um louco procure modos originais de morrer, dispensando os serviços do Deus
( não é por outra razão que são chamados, os loucos, muita vez, de megalomaníacos).

poema: wesley peres
voz: wilton cardoso

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