agora
para viver um pouco
de lucidez
é preciso ser louco
porque a loucura está além
do desespero e aquém da calma
com suas proto-almas
as vozes loucas não brotam
de nenhuma boca
e não vão
para qualquer ouvido
são em vão olvidas
brotam
no vão das vozes
por isto a voz do louco
como um curso contínuo
e quebradiço erra
por entre as guerras
movediças e acerta
o alvo que alma alguma
(com seus céus e infernos bem medidos)
pôde
no agora do agora
a voz do louco nos explora
campos de aquéns e aléns que se enrolam
e desenrolam-se alheios
a qualquer fio de meada
"Só há fluxos: sem fontes, sem fins...
E todo fluxo fecundo é um elã de loucura."
(fraco átila)
poema e voz: wilton cardoso

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