Os gatos não temem o escuréu,
Meninos não sabem o que vem,
Brincam no caminho de um corcel
Bravo, que confuso se detém.
Se detém, mas não se contém.
Se detém, mas não por muito tempo...
Tenaz urubu, suporta bem
Calmo o putrefar d’alma no vento.
Alma, cristalino vento em pedra,
Ao vento dissolve-se em silêncio
E em vento sem vento volve cega.
Se corrói matando-se o tempo,
Se constrói tentando-se prédio,
Tentação que pouco dura, o lento
Esbater do vento sem remédio
Abate-a num brando tormento
Ou num repentino e violento
Sacudir das pedras todas: trema
Solo outrora calmo, prado ameno;
Após, torne à terra a calma plena.
poema e voz: wilton cardoso

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