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    <title>RU&#205;DOS VOCAIS</title>
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    <description>DECLAMA&#199;&#213;ES SUJAS</description>
    <language>pt-br</language>
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    <pubDate>Fri, 06 Nov 2009 15:33:39 GMT</pubDate>
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    <itunes:author>wilton cardoso</itunes:author>
    <itunes:summary>Eu quis o grau zero da declama&#231;&#227;o. Que a voz fosse a transpar&#234;ncia atravessada pelo ritmo infinito do poema. (Despertar o poema de seu sil&#234;ncio cong&#234;nito)

N&#227;o foi poss&#237;vel. Pude apenas degradar a voz, o grau podre da declama&#231;&#227;o.</itunes:summary>
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    <item>
      <title>a poesia n&#227;o cessa</title>
      <description>a poesia n&#227;o cessa
s&#243; os homens
seus fios condutores
se desfazem no tempo-
espa&#231;o que os cerca
a poesia &#233; certa
no incerto das coisas
na n&#233;voa dos fatos
resta ao poeta
educar os sentidos
a se deseducarem

a poesia &#233; um surto
de corpo na alma
&#233; a vida aberta
a perder o seu (p)rumo
em busca de auroras
despojar-se do mundo
de si e de tudo
que pesa e conforta

a poesia &#233; o corpo
em estado de plasma

poema e voz: wilton cardoso</description>
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      <pubDate>Mon, 12 Feb 2007 18:19:19 GMT</pubDate>
      <dcterms:modified>2008-06-17</dcterms:modified>
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      <dc:creator>wilton cardoso</dc:creator>
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      <itunes:summary>a poesia n&#227;o cessa
s&#243; os homens
seus fios condutores
se desfazem no tempo-
espa&#231;o que os cerca
a poesia &#233; certa
no incerto das coisas
na n&#233;voa dos fatos
resta ao poeta
educar os sentidos
a se deseducarem

a poesia &#233; um surto
de corpo na alma
&#233; a vida aberta
a perder o seu (p)rumo
em busca de auroras
despojar-se do mundo
de si e de tudo
que pesa e conforta

a poesia &#233; o corpo
em estado de plasma

poema e voz: wilton cardoso</itunes:summary>
    </item>
    <item>
      <title>dr&#225;cula</title>
      <description>radicalizar
at&#233; n&#227;o mais poder
queria ser como o ch&#227;o
bruto e ch&#227;o grudado na pr&#243;pria
carne   ser a pr&#243;pria carne sem disfarces
viva  ferida  &#225;vida
o que for &#224; flor
da carne sem
pele

o mesmo que ser todos os disfarces
emaranhados sem nenhum por tr&#225;s
o interior das m&#225;scaras voltado
para fora    todas as m&#225;scaras    ser
sem m&#225;cula

mas quis a vida
e eis-me dr&#225;cula
da noite    ao dia avesso
vampiro se ocultando nas sombras
felino com caninos sedentos
do sangue dos vivos
da vida igual

eis-me cr&#225;pula

poema e voz: wilton cardoso</description>
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queria ser como o ch&#227;o
bruto e ch&#227;o grudado na pr&#243;pria
carne   ser a pr&#243;pria carne sem disfarces
viva  ferida  &#225;vida
o que for &#224; flor
da carne sem
pele

o mesmo que ser todos os disfarces
emaranhados sem nenhum por tr&#225;s
o interior das m&#225;scaras voltado
para fora    todas as m&#225;scaras    ser
sem m&#225;cula

mas quis a vida
e eis-me dr&#225;cula
da noite    ao dia avesso
vampiro se ocultando nas sombras
felino com caninos sedentos
do sangue dos vivos
da vida igual

eis-me cr&#225;pula

poema e voz: wilton cardoso</itunes:summary>
    </item>
    <item>
      <title>&amp;quot;a poesia n&#227;o cessa&amp;quot;</title>
      <description>a poesia n&#227;o cessa
s&#243; os homens
seus fios condutores
se desfazem no tempo
espa&#231;o que os cerca
a poesia &#233; certa
na n&#233;voa das coisas
resta ao poeta
educar os sentidos
a se deseducarem

a poesia &#233; o corpo
em estado de alerta
&#233; a vida aberta
a perder o seu (p)rumo
em busca de auroras
despojar-se do mundo
de si e de tudo
que pesa e conforta
e sair porta afora

a poesia   &#233; agora

poema e voz: wilton cardoso</description>
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      <pubDate>Fri, 02 Feb 2007 17:33:08 GMT</pubDate>
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      <itunes:summary>a poesia n&#227;o cessa
s&#243; os homens
seus fios condutores
se desfazem no tempo
espa&#231;o que os cerca
a poesia &#233; certa
na n&#233;voa das coisas
resta ao poeta
educar os sentidos
a se deseducarem

a poesia &#233; o corpo
em estado de alerta
&#233; a vida aberta
a perder o seu (p)rumo
em busca de auroras
despojar-se do mundo
de si e de tudo
que pesa e conforta
e sair porta afora

a poesia   &#233; agora

poema e voz: wilton cardoso</itunes:summary>
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      <title>&amp;quot;tudo &#233; mercado&amp;quot;</title>
      <description>&lt;img src="http://ruidosvocais.podOmatic.com/mymedia/thumb/36437/0x0_660288.jpg" alt="itunes pic" /&gt;&lt;br /&gt;poema e voz: wilton cardoso</description>
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      <pubDate>Fri, 02 Feb 2007 17:30:21 GMT</pubDate>
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    </item>
    <item>
      <title>&amp;quot;sou&amp;quot;</title>
      <description>sou
o que lembro e o que lembro
&#233; mandinga pr&#8217;eu ter sido
o que planejei um dia ido
e dolorido   n&#227;o sei se setembro

n&#227;o sei se me relembro ou a lembran&#231;a
que h&#225; de vir ao ar se insinuar
&#233; o enchimento amanh&#227; do esvaziar
que ficou      perdido na manh&#227; esperan&#231;a

acordes pobres de pardais      inf&#226;ncia
fios de postes das catadupas ignoradas
pela alegria brincando sem nada
pensar sobre as pedras da rua      sem &#226;nsia

sobre a perda da dist&#226;ncia medita esferogr&#225;fica
sobre a mesa dos tempos idos s&#243; doridos
e sarados neste retra&#231;ar florido
de alma velha      sem vi&#231;o pra gin&#225;stica

&#243; pardais e jabuticabas   bobos e bolos
cidade natal p&#243;s-modernamente em cacos
nesta caba&#231;a podre que a guarda     saco
de gatos lentos e sem unhas do desconsolo

poema e voz: wilton cardoso</description>
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      <pubDate>Tue, 16 Jan 2007 12:51:44 GMT</pubDate>
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      <itunes:summary>sou
o que lembro e o que lembro
&#233; mandinga pr&#8217;eu ter sido
o que planejei um dia ido
e dolorido   n&#227;o sei se setembro

n&#227;o sei se me relembro ou a lembran&#231;a
que h&#225; de vir ao ar se insinuar
&#233; o enchimento amanh&#227; do esvaziar
que ficou      perdido na manh&#227; esperan&#231;a

acordes pobres de pardais      inf&#226;ncia
fios de postes das catadupas ignoradas
pela alegria brincando sem nada
pensar sobre as pedras da rua      sem &#226;nsia

sobre a perda da dist&#226;ncia medita esferogr&#225;fica
sobre a mesa dos tempos idos s&#243; doridos
e sarados neste retra&#231;ar florido
de alma velha      sem vi&#231;o pra gin&#225;stica

&#243; pardais e jabuticabas   bobos e bolos
cidade natal p&#243;s-modernamente em cacos
nesta caba&#231;a podre que a guarda     saco
de gatos lentos e sem unhas do desconsolo

poema e voz: wilton cardoso</itunes:summary>
    </item>
    <item>
      <title>The Self</title>
      <description>aquele que n&#227;o posso ser est&#225; vivendo
n&#227;o sei o que ele quer na funda noite escura
daquele quarto ao fundo que sequer eu entro
a casa agora estranha e a amada n&#227;o escuta
a voz daquele eu mudo que agora j&#225; n&#227;o ama

desenvolta ela passeia e se deita em sua cama
e o quarto n&#227;o clareia e mesmo assim enche de luz
este outro a possui enquanto a casa se revela
antiq&#252;&#237;ssima morada de deuses que conduz
aquele eu cego a viver &#224; luz de velas

ver sem velas ou sol imponder&#225;veis nuances dela
casa      sem piso oit&#227;o ou teto vizinha do infinito
um rociar de eternidade impregna os c&#244;modos disformes
foi tudo ti culpada amada a voltear por c&#244;modos famintos
de n&#227;o sei qu&#234; de al&#233;m amor a entristec&#234;-la enquanto dormes

co&#8217;este outro e sem meu toque nos perdoe
luz inconsciente a lumiar o mar profundo
em que mergulha aquele que se diz eu
na busca indefinida de um mapa    o mar inunda
c&#244;modos e casa e tudo b&#243;ia e se perdeu

do eu amar e amada    c&#244;modos e casa e aquele outro
ainda chora o que n&#227;o sinto e &#224;s vezes tem
(tenho certeza) amada em leito seu e amor um pouco
que (n&#225;ufrago) n&#227;o sei e luz &#233; assim, &#224;s vezes vem...

poema e voz: wilton cardoso</description>
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      <pubDate>Tue, 16 Jan 2007 12:49:24 GMT</pubDate>
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      <itunes:summary>aquele que n&#227;o posso ser est&#225; vivendo
n&#227;o sei o que ele quer na funda noite escura
daquele quarto ao fundo que sequer eu entro
a casa agora estranha e a amada n&#227;o escuta
a voz daquele eu mudo que agora j&#225; n&#227;o ama

desenvolta ela passeia e se deita em sua cama
e o quarto n&#227;o clareia e mesmo assim enche de luz
este outro a possui enquanto a casa se revela
antiq&#252;&#237;ssima morada de deuses que conduz
aquele eu cego a viver &#224; luz de velas

ver sem velas ou sol imponder&#225;veis nuances dela
casa      sem piso oit&#227;o ou teto vizinha do infinito
um rociar de eternidade impregna os c&#244;modos disformes
foi tudo ti culpada amada a voltear por c&#244;modos famintos
de n&#227;o sei qu&#234; de al&#233;m amor a entristec&#234;-la enquanto dormes

co&#8217;este outro e sem meu toque nos perdoe
luz inconsciente a lumiar o mar profundo
em que mergulha aquele que se diz eu
na busca indefinida de um mapa    o mar inunda
c&#244;modos e casa e tudo b&#243;ia e se perdeu

do eu amar e amada    c&#244;modos e casa e aquele outro
ainda chora o que n&#227;o sinto e &#224;s vezes tem
(tenho certeza) amada em leito seu e amor um pouco
que (n&#225;ufrago) n&#227;o sei e luz &#233; assim, &#224;s vezes vem...

poema e voz: wilton cardoso</itunes:summary>
    </item>
    <item>
      <title>My Self</title>
      <description>FLUENTES

nasci para n&#227;o viver
sou fraco de natureza
se existe alguma for&#231;a ela vem
desta fraqueza

meu eu n&#227;o conhece agora
ora pende para os olhos
ora pende para os ouvidos
ora pende de si mesmo
ora ora

buscante o al&#233;m
da dor    da contempla&#231;&#227;o
da vida que cont&#233;m
este n&#227;o sei que buscar
rebuscado em que jogo
o obus sem precis&#227;o
n&#227;o am&#233;m

FORJAS

H&#225; muito que n&#227;o sei
de mim          h&#225; muito que sei
que o vento e as coisas
que correm c&#225; dentro
como estrelas n&#227;o morrem
mandalas solares
em frio relento

Tantas vezes supus esgotado
e o esgoto desanda a escorrer
entremeado
por um fino fio perfumado
e aproximo o olfato algoz
no afoito af&#227; de o colher
mas me invade as narinas e a boca
este gosto indigesto de bosta
perco a voz

entre uma e outra flauta
&#224;s vezes toca a minha
desencantada de si mesma
ma&#8217;encantada de tocar-se
s&#243; n&#227;o sabe quem a toca
fazendo-a estremecer-se
de prazer? ou de dor? como em sal
uma lesma

FLUTUANTES

Sou a flor do outro monte
entre a onda e a rocha, diante
do momento fulminante
fulminar-me ante gigante
&#8217;squebralhar de crista e monge,
desintegrada e gasto. Ao longe
miro o que se foi petrificado
enla&#231;ado &#224; dissolvida, mas me tange
o que sou e n&#227;o est&#225; entre:
a pedra esperativa e verticais
&#225;guas por vir beijantes
e suas bocas flamejantes,
suicidas assassinas, como de antes
do mundo come&#231;ar entre os portais
da estreita consci&#234;ncia que me guia
no amplo limiar circundeado
pela divina sorte de um dado
jogado

entre a rocha e a crista
entre os vales brotado
na pedra do monte
sou dado
a espera do pr&#243;ximo lance
a espera da pr&#243;xima lan&#231;a
do acaso
eu luto para permanecer
e agarro em mim a profundidade poss&#237;vel
imposs&#237;vel
(sou raso)
o pr&#243;ximo soldado joga o dado
doido eu grito ao intang&#237;vel
mas eu mudo
sou o pr&#243;ximo
resultado

Morto foi o Cristo
Viva veio a Cruz
E a Rosa esquecida
Foram todos perdoados
O Mosteiro brotou na rocha
E o mar acalmado
Meditou com castos lumes
Lumiou-se a tristandade
Se levantou una infindas cruzes
Foi das lan&#231;as dos soldados
Foi das dan&#231;as do ocaso
Foi mais um lance de dados (?)

Mas alarme soa em mim
Volto &#224; triste e amarga ventura
De ser crista, rocha e pequenim
Ser entre e ser o que n&#227;o dura
Que embora foi no embate
Sem fim

N&#227;o sou nenhum Caim
Nem sou Abel algum
N&#227;o estou em torre nenhuma de marfim
Nem de Babel
Minha torre n&#227;o &#233; de papel
Pois n&#227;o h&#225;, e o papel &#233; ser vagante
Sem mim, sou o que recuso-me a ser hesitante
Um Casimiro de Abreu pedante.

poema e voz: wilton cardoso</description>
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      <pubDate>Tue, 16 Jan 2007 12:46:42 GMT</pubDate>
      <dcterms:modified>2008-06-13</dcterms:modified>
      <dcterms:created>2007-01-16</dcterms:created>
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      <dc:creator>wilton cardoso</dc:creator>
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      <itunes:explicit>no</itunes:explicit>
      <itunes:summary>FLUENTES

nasci para n&#227;o viver
sou fraco de natureza
se existe alguma for&#231;a ela vem
desta fraqueza

meu eu n&#227;o conhece agora
ora pende para os olhos
ora pende para os ouvidos
ora pende de si mesmo
ora ora

buscante o al&#233;m
da dor    da contempla&#231;&#227;o
da vida que cont&#233;m
este n&#227;o sei que buscar
rebuscado em que jogo
o obus sem precis&#227;o
n&#227;o am&#233;m

FORJAS

H&#225; muito que n&#227;o sei
de mim          h&#225; muito que sei
que o vento e as coisas
que correm c&#225; dentro
como estrelas n&#227;o morrem
mandalas solares
em frio relento

Tantas vezes supus esgotado
e o esgoto desanda a escorrer
entremeado
por um fino fio perfumado
e aproximo o olfato algoz
no afoito af&#227; de o colher
mas me invade as narinas e a boca
este gosto indigesto de bosta
perco a voz

entre uma e outra flauta
&#224;s vezes toca a minha
desencantada de si mesma
ma&#8217;encantada de tocar-se
s&#243; n&#227;o sabe quem a toca
fazendo-a estremecer-se
de prazer? ou de dor? como em sal
uma lesma

FLUTUANTES

Sou a flor do outro monte
entre a onda e a rocha, diante
do momento fulminante
fulminar-me ante gigante
&#8217;squebralhar de crista e monge,
desintegrada e gasto. Ao longe
miro o que se foi petrificado
enla&#231;ado &#224; dissolvida, mas me tange
o que sou e n&#227;o est&#225; entre:
a pedra esperativa e verticais
&#225;guas por vir beijantes
e suas bocas flamejantes,
suicidas assassinas, como de antes
do mundo come&#231;ar entre os portais
da estreita consci&#234;ncia que me guia
no amplo limiar circundeado
pela divina sorte de um dado
jogado

entre a rocha e a crista
entre os vales brotado
na pedra do monte
sou dado
a espera do pr&#243;ximo lance
a espera da pr&#243;xima lan&#231;a
do acaso
eu luto para permanecer
e agarro em mim a profundidade poss&#237;vel
imposs&#237;vel
(sou raso)
o pr&#243;ximo soldado joga o dado
doido eu grito ao intang&#237;vel
mas eu mudo
sou o pr&#243;ximo
resultado

Morto foi o Cristo
Viva veio a Cruz
E a Rosa esquecida
Foram todos perdoados
O Mosteiro brotou na rocha
E o mar acalmado
Meditou com castos lumes
Lumiou-se a tristandade
Se levantou una infindas cruzes
Foi das lan&#231;as dos soldados
Foi das dan&#231;as do ocaso
Foi mais um lance de dados (?)

Mas alarme soa em mim
Volto &#224; triste e amarga ventura
De ser crista, rocha e pequenim
Ser entre e ser o que n&#227;o dura
Que embora foi no embate
Sem fim

N&#227;o sou nenhum Caim
Nem sou Abel algum
N&#227;o estou em torre nenhuma de marfim
Nem de Babel
Minha torre n&#227;o &#233; de papel
Pois n&#227;o h&#225;, e o papel &#233; ser vagante
Sem mim, sou o que recuso-me a ser hesitante
Um Casimiro de Abreu pedante.

poema e voz: wilton cardoso</itunes:summary>
    </item>
    <item>
      <title>Ave Maria das Cinzas</title>
      <description>adentro a igreja vazia
a igreja abandonada
pelos de hoje em dia
cabelos de minha amada
derramados na eucaristia
oramos, almas penadas
esp&#237;ritas carnes vadias

os olhos de minha amada
s&#227;o os olhos de Maria
mandalas esparramadas
cinzas em alvos dias
que em rubras ra&#237;zes raiadas
rios de fel e agonia
rumo ao negro abismo do nada

mandala fim de alegrias
a mandala noturna apagada
reacende ao calor do dia
a cinza &#237;ris numiada
em azul, verde e alegria
celesta os vitrais da amada
igreja, do leste Maria

cantada, invocada, aclamada
chama oculta na voz do dia
diz no sil&#234;ncio do nada
vem, h&#225; horas n&#227;o frias
que oras no seio da amada
em &#234;xtase canta a Maria
na santa casa sangrada

pelas l&#225;grimas de Maria
escorrendo desnorteadas
pelo santo v&#233;u que me guia
&#224; negra &#237;ris sagrada
ao centro da &#237;ris que eu via
Maria   &#205;sis alada
a envolver-me a alma sombria

a al&#231;ar minh&#8217;alma vazia
a solares alturas, morada
onde queima a carne vadia
onde mora Maria ocultada
inacess&#237;vel ess&#234;ncia Maria
onde carne &#233; onda e a onda nada

canto noturno na igreja vazia
uma Ave Maria n&#227;o cantada
jamais pelos de hoje em dia
a uma adorada Maria desencantada
lacrimejando sangue na torre esguia
da igreja velha abandonada
no triste ocaso do dia

para que surja de um acaso e de um fim
uma des-
conhecida nossa
Maria.

 poema e voz: wilton cardoso</description>
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      <pubDate>Tue, 16 Jan 2007 12:43:48 GMT</pubDate>
      <dcterms:modified>2008-06-13</dcterms:modified>
      <dcterms:created>2007-01-16</dcterms:created>
      <link>http://ruidosvocais.podOmatic.com</link>
      <dc:creator>wilton cardoso</dc:creator>
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      <itunes:summary>adentro a igreja vazia
a igreja abandonada
pelos de hoje em dia
cabelos de minha amada
derramados na eucaristia
oramos, almas penadas
esp&#237;ritas carnes vadias

os olhos de minha amada
s&#227;o os olhos de Maria
mandalas esparramadas
cinzas em alvos dias
que em rubras ra&#237;zes raiadas
rios de fel e agonia
rumo ao negro abismo do nada

mandala fim de alegrias
a mandala noturna apagada
reacende ao calor do dia
a cinza &#237;ris numiada
em azul, verde e alegria
celesta os vitrais da amada
igreja, do leste Maria

cantada, invocada, aclamada
chama oculta na voz do dia
diz no sil&#234;ncio do nada
vem, h&#225; horas n&#227;o frias
que oras no seio da amada
em &#234;xtase canta a Maria
na santa casa sangrada

pelas l&#225;grimas de Maria
escorrendo desnorteadas
pelo santo v&#233;u que me guia
&#224; negra &#237;ris sagrada
ao centro da &#237;ris que eu via
Maria   &#205;sis alada
a envolver-me a alma sombria

a al&#231;ar minh&#8217;alma vazia
a solares alturas, morada
onde queima a carne vadia
onde mora Maria ocultada
inacess&#237;vel ess&#234;ncia Maria
onde carne &#233; onda e a onda nada

canto noturno na igreja vazia
uma Ave Maria n&#227;o cantada
jamais pelos de hoje em dia
a uma adorada Maria desencantada
lacrimejando sangue na torre esguia
da igreja velha abandonada
no triste ocaso do dia

para que surja de um acaso e de um fim
uma des-
conhecida nossa
Maria.

 poema e voz: wilton cardoso</itunes:summary>
    </item>
    <item>
      <title>A Caverna</title>
      <description>I

O que cont&#233;m a caverna escura
luz ? cont&#233;m o breu da noite morta
sem estrelas, luas ou luzes suas
som, sil&#234;ncio denso em todo canto
que a boca venta ouvida escuta
lenta e absorta      grita     muda

e o grito lento, encoberto. Manto
da caverna envolve e absorve-lhe
converte-se em bolha de vazio 
atrito entre pedra e &#225;gua em branco
recoberto em negro de negrume 
escuta ! Este negror sem sombra

e que a vida da caverna exala
branca esvanecida em grito em sombra
que o sil&#234;ncio escuta atento e suga
brando e lento o som da gruta galga
disperso, vesgo em visco, muda.
Se fora foi  como o que esvai-se em pranto.

II

E a caverna nem sabe que existe
que ela &#233; ela mesma
nem, portanto, que vive
noite &#224; noite, sempre e fluida, permanente
a caverna corre
como o rio noturno que adentra

se volta &#224; si mesma
ou mesmo &#224; nada
a espreita de sua mesmice
parada e calada  amorfa e sinuosa
lhe beijam &#225;guas que cavam
e nada trazem, que n&#227;o o vazio.

A caverna n&#227;o conhece o plasma
que escorre n&#227;o entende o plasma
liso c&#243;smico que lhe toma os v&#227;os
g&#243;smico plasma a caverna carrega
n&#227;o sabe dos &#243;leos tintas que lhe tinge as margens
n&#227;o pasma ante nada e tudo    na caverna escorrega.

A caverna se solta em si mesma
n&#227;o h&#225; perguntas
e n&#227;o fossem luzes pl&#225;sticas
e met&#225;licas, qu&#237;micas e f&#237;sicas
m&#225;quinas, n&#227;o viveria
n&#227;o haveria cores     vida n&#227;o haveria.

III

O que fica deste oco
ocado vazio cheio d&#8217;&#225;gua
transparente raso e ralo
esvai pelos v&#227;os deixando v&#227;os
vazios. Tudo em v&#227;o
v&#227;o &#225;guas incolores  inodoras e frias

&#225;guas que aguaceiam vazias
transparece num disco de luz
e desvanece de novo nas sombras
no ocaso das luzes do rio
que reaparece &#224; frente, debaixo das rochas
acaso de &#225;guas e rochas             e raios de sol

transl&#250;cidos rios solares
e lunares, momentos de relvas
de luzes por entre a selva
esverdescente e num segundo instante
novo negrume  de novo nada
de cor e de luz      arredia e sombrante.

A caverna volta a tornar
o que se diz da caverna   &#224; caverna
o que diz a caverna?
A caverna n&#227;o dita
bendita ou maldita, a caverna medita
eu     que a digo o que &#233;

nada a caverna me dita
sobre si ou sobre nada
sobre mim. Sob seu teto impreciso
as coisas s&#227;o sombras e nada precisa
as coisas misturam-se na vaga imprecisa
aquilo, tu e eu      no plasma imprevisto.

IV

O duplo da luz      do ato
falo         do duplo da relva verde do mato
falho       recobrindo as campinas
serras      toneladas de terras
pedras     ra&#237;zes e &#225;guas
sujas        ralos de vida       halos

at&#233; a caverna que hiberna
de um sono profundo, duplo
do mundo desperto
de um imundo sonho duplo
intramundo de ins&#244;nia
perambula o mundo a caverna.

V

A caverna se repete sempre
indiferente ao que &#233; passado uma vez
ou mil vezes passado e a diferen&#231;a
entre mil vezes e uma
&#233; absolutamente nenhuma
onde reina absoluta a mente resoluta

a caverna mente, serpente
sempre e sempre, sempre. Sempre
a mesma caverna muda
sal&#245;es e colunas antes
n&#227;o vistos    num abrir de olhos    gigantes
novos (e velhos)    espa&#231;os sombrantes.

poema e voz: wilton cardoso</description>
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      <comments>http://ruidosvocais.podOmatic.com/entry/2007-01-16T04_41_20-08_00</comments>
      <pubDate>Tue, 16 Jan 2007 12:41:20 GMT</pubDate>
      <dcterms:modified>2008-06-16</dcterms:modified>
      <dcterms:created>2007-01-16</dcterms:created>
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      <dc:creator>wilton cardoso</dc:creator>
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      <itunes:summary>I

O que cont&#233;m a caverna escura
luz ? cont&#233;m o breu da noite morta
sem estrelas, luas ou luzes suas
som, sil&#234;ncio denso em todo canto
que a boca venta ouvida escuta
lenta e absorta      grita     muda

e o grito lento, encoberto. Manto
da caverna envolve e absorve-lhe
converte-se em bolha de vazio 
atrito entre pedra e &#225;gua em branco
recoberto em negro de negrume 
escuta ! Este negror sem sombra

e que a vida da caverna exala
branca esvanecida em grito em sombra
que o sil&#234;ncio escuta atento e suga
brando e lento o som da gruta galga
disperso, vesgo em visco, muda.
Se fora foi  como o que esvai-se em pranto.

II

E a caverna nem sabe que existe
que ela &#233; ela mesma
nem, portanto, que vive
noite &#224; noite, sempre e fluida, permanente
a caverna corre
como o rio noturno que adentra

se volta &#224; si mesma
ou mesmo &#224; nada
a espreita de sua mesmice
parada e calada  amorfa e sinuosa
lhe beijam &#225;guas que cavam
e nada trazem, que n&#227;o o vazio.

A caverna n&#227;o conhece o plasma
que escorre n&#227;o entende o plasma
liso c&#243;smico que lhe toma os v&#227;os
g&#243;smico plasma a caverna carrega
n&#227;o sabe dos &#243;leos tintas que lhe tinge as margens
n&#227;o pasma ante nada e tudo    na caverna escorrega.

A caverna se solta em si mesma
n&#227;o h&#225; perguntas
e n&#227;o fossem luzes pl&#225;sticas
e met&#225;licas, qu&#237;micas e f&#237;sicas
m&#225;quinas, n&#227;o viveria
n&#227;o haveria cores     vida n&#227;o haveria.

III

O que fica deste oco
ocado vazio cheio d&#8217;&#225;gua
transparente raso e ralo
esvai pelos v&#227;os deixando v&#227;os
vazios. Tudo em v&#227;o
v&#227;o &#225;guas incolores  inodoras e frias

&#225;guas que aguaceiam vazias
transparece num disco de luz
e desvanece de novo nas sombras
no ocaso das luzes do rio
que reaparece &#224; frente, debaixo das rochas
acaso de &#225;guas e rochas             e raios de sol

transl&#250;cidos rios solares
e lunares, momentos de relvas
de luzes por entre a selva
esverdescente e num segundo instante
novo negrume  de novo nada
de cor e de luz      arredia e sombrante.

A caverna volta a tornar
o que se diz da caverna   &#224; caverna
o que diz a caverna?
A caverna n&#227;o dita
bendita ou maldita, a caverna medita
eu     que a digo o que &#233;

nada a caverna me dita
sobre si ou sobre nada
sobre mim. Sob seu teto impreciso
as coisas s&#227;o sombras e nada precisa
as coisas misturam-se na vaga imprecisa
aquilo, tu e eu      no plasma imprevisto.

IV

O duplo da luz      do ato
falo         do duplo da relva verde do mato
falho       recobrindo as campinas
serras      toneladas de terras
pedras     ra&#237;zes e &#225;guas
sujas        ralos de vida       halos

at&#233; a caverna que hiberna
de um sono profundo, duplo
do mundo desperto
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intramundo de ins&#244;nia
perambula o mundo a caverna.

V

A caverna se repete sempre
indiferente ao que &#233; passado uma vez
ou mil vezes passado e a diferen&#231;a
entre mil vezes e uma
&#233; absolutamente nenhuma
onde reina absoluta a mente resoluta

a caverna mente, serpente
sempre e sempre, sempre. Sempre
a mesma caverna muda
sal&#245;es e colunas antes
n&#227;o vistos    num abrir de olhos    gigantes
novos (e velhos)    espa&#231;os sombrantes.

poema e voz: wilton cardoso</itunes:summary>
    </item>
    <item>
      <title>Metaformose - trechos</title>
      <description>Musa, toda musa, filhas de Mnem&#243;sine, a mem&#243;ria, lembrar, lembrar passa, s&#243; o esquecimento &#233; eterno. Musa, musa. Musa, musa que n&#227;o mais se usa, ningu&#233;m virando pedra nos cabelos da Medusa. B&#243;reas, Z&#233;firo, os ventos passam e nada deixam escrito na superf&#237;cie das &#225;guas. No fundo da &#225;gua, no fundo da &#226;nfora, no fundo do c&#225;lice, a hist&#243;ria toda, algu&#233;m, filho de um rio e de uma fonte, ningu&#233;m, e uma ninfa chamando, eco, eco, eco, m&#237;nimo espet&#225;culo.

Que mais existe sen&#227;o afirmar a multiplicidade do real, a igual probabilidade dos eventos imposs&#237;veis, a eterna troca de tudo em tudo, a &#250;nica realidade absoluta? Seres se traduzem, tudo pode ser met&#225;fora de alguma outra coisa ou de coisa alguma, tudo irremediavelmente metamorfose.

As hist&#243;rias, sozinhas, se contam entre si. A f&#225;bula do Minotauro narra a saga de Perseu para um p&#250;blico de Medusas. Os homens s&#227;o apenas os &#243;rg&#227;os sexuais das f&#225;bulas. Qualquer f&#225;bula vive mais que uma pir&#226;mide do Egito.

Her&#243;doto buscou, entre mir&#237;ades de povos, uma f&#225;bula que, como o im&#227;, fosse o centro e a raiz de todas. Mas as f&#225;bulas n&#227;o t&#234;m centro, elas se expandem em todas as dire&#231;&#245;es, entr&#243;picas, auto-proliferando-se, alimentando-se do cad&#225;ver putrefato das f&#225;bulas j&#225; esquecidas. Um dia, Her&#243;doto voltou, barbas brancas como a espuma das ondas do mar de Atenas. N&#227;o trazia a unidade, trazia a dispers&#227;o.

texto: paulo leminski
voz: wilton cardoso</description>
      <guid isPermaLink="true">http://ruidosvocais.podOmatic.com/entry/2007-01-04T07_42_18-08_00</guid>
      <comments>http://ruidosvocais.podOmatic.com/entry/2007-01-04T07_42_18-08_00</comments>
      <pubDate>Thu, 04 Jan 2007 15:42:18 GMT</pubDate>
      <dcterms:modified>2008-06-15</dcterms:modified>
      <dcterms:created>2007-01-04</dcterms:created>
      <link>http://ruidosvocais.podOmatic.com</link>
      <dc:creator>wilton cardoso</dc:creator>
      <itunes:keywords>leminski,metaformose,metamorfose,poesia</itunes:keywords>
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Que mais existe sen&#227;o afirmar a multiplicidade do real, a igual probabilidade dos eventos imposs&#237;veis, a eterna troca de tudo em tudo, a &#250;nica realidade absoluta? Seres se traduzem, tudo pode ser met&#225;fora de alguma outra coisa ou de coisa alguma, tudo irremediavelmente metamorfose.

As hist&#243;rias, sozinhas, se contam entre si. A f&#225;bula do Minotauro narra a saga de Perseu para um p&#250;blico de Medusas. Os homens s&#227;o apenas os &#243;rg&#227;os sexuais das f&#225;bulas. Qualquer f&#225;bula vive mais que uma pir&#226;mide do Egito.

Her&#243;doto buscou, entre mir&#237;ades de povos, uma f&#225;bula que, como o im&#227;, fosse o centro e a raiz de todas. Mas as f&#225;bulas n&#227;o t&#234;m centro, elas se expandem em todas as dire&#231;&#245;es, entr&#243;picas, auto-proliferando-se, alimentando-se do cad&#225;ver putrefato das f&#225;bulas j&#225; esquecidas. Um dia, Her&#243;doto voltou, barbas brancas como a espuma das ondas do mar de Atenas. N&#227;o trazia a unidade, trazia a dispers&#227;o.

texto: paulo leminski
voz: wilton cardoso</itunes:summary>
    </item>
    <item>
      <title>&amp;quot;teus olhos s&#227;o t&#227;o sol&amp;quot;</title>
      <description>&lt;img src="http://ruidosvocais.podOmatic.com/mymedia/thumb/36437/0x0_660289.jpg" alt="itunes pic" /&gt;&lt;br /&gt;poema e voz: wilton cardoso</description>
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      <pubDate>Tue, 26 Dec 2006 15:14:49 GMT</pubDate>
      <dcterms:modified>2008-03-21</dcterms:modified>
      <dcterms:created>2006-12-26</dcterms:created>
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    </item>
    <item>
      <title>&amp;quot;n&#227;o respondo por mim&amp;quot;</title>
      <description>&lt;img src="http://ruidosvocais.podOmatic.com/mymedia/thumb/36437/0x0_660290.jpg" alt="itunes pic" /&gt;&lt;br /&gt;poema e voz: wilton cardoso</description>
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      <pubDate>Tue, 19 Dec 2006 18:43:11 GMT</pubDate>
      <dcterms:modified>2008-06-15</dcterms:modified>
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      <itunes:summary>poema e voz: wilton cardoso</itunes:summary>
    </item>
    <item>
      <title>Psicologia de um vencido</title>
      <description>Eu, filho do carbono e do amon&#237;aco,
Monstro de escurid&#227;o e rutil&#226;ncia,
Sofro, desde a epig&#234;nesis da inf&#226;ncia,
A influ&#234;ncia m&#225; dos signos do zod&#237;aco.

Profund&#237;ssimamente hipocondr&#237;aco, 
Este ambiente me causa repugn&#226;ncia... 
Sobe-me &#224; boca uma &#226;nsia an&#225;loga &#224; &#226;nsia 
Que se escapa da boca de um card&#237;aco.

J&#225; o verme &#8212; este oper&#225;rio das ru&#237;nas &#8212;
Que o sangue podre das carnificinas 
Come, e &#224; vida em geral declara guerra,

Anda a espreitar meus olhos para ro&#234;-los, 
E h&#225;-de deixar-me apenas os cabelos, 
Na frialdade inorg&#226;nica da terra!

poema: augusto dos anjos
voz: wilton cardoso</description>
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      <pubDate>Tue, 19 Dec 2006 14:42:20 GMT</pubDate>
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      <itunes:summary>Eu, filho do carbono e do amon&#237;aco,
Monstro de escurid&#227;o e rutil&#226;ncia,
Sofro, desde a epig&#234;nesis da inf&#226;ncia,
A influ&#234;ncia m&#225; dos signos do zod&#237;aco.

Profund&#237;ssimamente hipocondr&#237;aco, 
Este ambiente me causa repugn&#226;ncia... 
Sobe-me &#224; boca uma &#226;nsia an&#225;loga &#224; &#226;nsia 
Que se escapa da boca de um card&#237;aco.

J&#225; o verme &#8212; este oper&#225;rio das ru&#237;nas &#8212;
Que o sangue podre das carnificinas 
Come, e &#224; vida em geral declara guerra,

Anda a espreitar meus olhos para ro&#234;-los, 
E h&#225;-de deixar-me apenas os cabelos, 
Na frialdade inorg&#226;nica da terra!

poema: augusto dos anjos
voz: wilton cardoso</itunes:summary>
    </item>
    <item>
      <title>Versos &#237;ntimos</title>
      <description>V&#234;s?!  Ningu&#233;m assistiu ao formid&#225;vel  
Enterro de tua &#250;ltima quimera.  
Somente a Ingratid&#227;o &#8212; esta pantera &#8212;  
Foi tua companheira insepar&#225;vel! 

Acostuma-te &#224; lama que te espera!  
O Homem, que, nesta terra miser&#225;vel,  
Mora, entre feras, sente inevit&#225;vel  
Necessidade de tamb&#233;m ser fera.  

Toma um f&#243;sforo.  Acende teu cigarro!  
O beijo, amigo, &#233; a v&#233;spera do escarro,  
A m&#227;o que afaga &#233; a mesma que apedreja.  

Se a algu&#233;m causa inda pena a tua chaga,  
Apedreja essa m&#227;o vil que te afaga,  
Escarra nessa boca que te beija!

poema: augusto dos anjos
voz: wilton cardoso</description>
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      <pubDate>Tue, 19 Dec 2006 14:40:09 GMT</pubDate>
      <dcterms:modified>2008-06-18</dcterms:modified>
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Enterro de tua &#250;ltima quimera.  
Somente a Ingratid&#227;o &#8212; esta pantera &#8212;  
Foi tua companheira insepar&#225;vel! 

Acostuma-te &#224; lama que te espera!  
O Homem, que, nesta terra miser&#225;vel,  
Mora, entre feras, sente inevit&#225;vel  
Necessidade de tamb&#233;m ser fera.  

Toma um f&#243;sforo.  Acende teu cigarro!  
O beijo, amigo, &#233; a v&#233;spera do escarro,  
A m&#227;o que afaga &#233; a mesma que apedreja.  

Se a algu&#233;m causa inda pena a tua chaga,  
Apedreja essa m&#227;o vil que te afaga,  
Escarra nessa boca que te beija!

poema: augusto dos anjos
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    </item>
    <item>
      <title>Cismas do Destino (trecho inicial)</title>
      <description>Recife. Ponte Buarque de Macedo.
Eu, indo em dire&#231;&#227;o &#224; casa do Agra,
Assombrado com a minha sombra magra,
Pensava no Destino, e tinha medo!

Na austera ab&#243;bada alta o f&#243;sforo alvo
Das estrelas luzia... O cal&#231;amento
S&#225;xeo, de asfalto rijo, atro e vidrento,
Copiava a polidez de um cr&#226;nio calvo.

Lembro-me bem. A ponte era comprida,
E a minha sombra enorme enchia a ponte,
Como uma pele de rinoceronte
Estendida por toda a minha vida!

A noite fecundava o ovo dos v&#237;cios
Animais. Do carv&#227;o da treva imensa
Ca&#237;a um ar danado de doen&#231;a
Sobre a cara geral dos edif&#237;cios!

Tal uma horda feroz de c&#227;es famintos,
Atravessando uma esta&#231;&#227;o deserta,
Uivava dentro do eu, com a boca aberta,
A matilha espantada dos instintos!

Era como se, na alma da cidade,
Profundamente l&#250;brica e revolta,
Mostrando as carnes, uma besta solta
Soltasse o berro da animalidade.

poema: augusto dos anjos
voz: wilton cardoso</description>
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      <pubDate>Tue, 19 Dec 2006 14:37:24 GMT</pubDate>
      <dcterms:modified>2008-06-09</dcterms:modified>
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Eu, indo em dire&#231;&#227;o &#224; casa do Agra,
Assombrado com a minha sombra magra,
Pensava no Destino, e tinha medo!

Na austera ab&#243;bada alta o f&#243;sforo alvo
Das estrelas luzia... O cal&#231;amento
S&#225;xeo, de asfalto rijo, atro e vidrento,
Copiava a polidez de um cr&#226;nio calvo.

Lembro-me bem. A ponte era comprida,
E a minha sombra enorme enchia a ponte,
Como uma pele de rinoceronte
Estendida por toda a minha vida!

A noite fecundava o ovo dos v&#237;cios
Animais. Do carv&#227;o da treva imensa
Ca&#237;a um ar danado de doen&#231;a
Sobre a cara geral dos edif&#237;cios!

Tal uma horda feroz de c&#227;es famintos,
Atravessando uma esta&#231;&#227;o deserta,
Uivava dentro do eu, com a boca aberta,
A matilha espantada dos instintos!

Era como se, na alma da cidade,
Profundamente l&#250;brica e revolta,
Mostrando as carnes, uma besta solta
Soltasse o berro da animalidade.

poema: augusto dos anjos
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    </item>
    <item>
      <title>amores de stela (III)</title>
      <description>envio o c&#243;digo   amor
e voc&#234; nem sabe
passagem s&#243; ida
por esta paisagem deserta
e sedenta   da sua chuva

um cora&#231;&#227;o fechado
e meu leito aberto
ao seu riso certo
e fluido     rio
como um rio deserto

paisagem sem vida
n&#227;o combinei o sinal
que somente eu sei
meu peito quer tempestades
e frases pelas metades

e esse meu jeito alarmado
um dia vai ser nostalgia
pu&#237;da no dia a dia
liga n&#227;o 
(liga sim)
que voc&#234; nem sabe de mim
assim
com boca de sede sem fim

poema: stela silvestre 
can&#231;&#227;o incidental: pense em mim (maio &amp; ribeiro)
voz: wilton cardoso</description>
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      <pubDate>Wed, 06 Dec 2006 13:14:23 GMT</pubDate>
      <dcterms:modified>2008-06-16</dcterms:modified>
      <dcterms:created>2006-12-06</dcterms:created>
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e voc&#234; nem sabe
passagem s&#243; ida
por esta paisagem deserta
e sedenta   da sua chuva

um cora&#231;&#227;o fechado
e meu leito aberto
ao seu riso certo
e fluido     rio
como um rio deserto

paisagem sem vida
n&#227;o combinei o sinal
que somente eu sei
meu peito quer tempestades
e frases pelas metades

e esse meu jeito alarmado
um dia vai ser nostalgia
pu&#237;da no dia a dia
liga n&#227;o 
(liga sim)
que voc&#234; nem sabe de mim
assim
com boca de sede sem fim

poema: stela silvestre 
can&#231;&#227;o incidental: pense em mim (maio &amp; ribeiro)
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    </item>
    <item>
      <title>amores de stela (II)</title>
      <description>duplamente feminino
o amor entre n&#243;s duas
&#233; o mais &#237;ntimo e singelo
de todos os amores

f&#234;mea em todas as metades
e poros  a paix&#227;o me queima
e quer e teima na tarde
do meu ser que se dissipa
em seu espelho adolescente

Iara florescente em teu silente
corpo me deixo e arrasto em canto
me arremesso e me ofere&#231;o
&#224; tua torrente turva
onde sou parca e onde me perco
incendida e quase morta
minha doce amiga das &#225;guas
de mim
ressurjo
das cinzas de mim

poema: stela silvestre
voz: wilton cardoso</description>
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      <pubDate>Wed, 06 Dec 2006 13:05:41 GMT</pubDate>
      <dcterms:modified>2008-06-15</dcterms:modified>
      <dcterms:created>2006-12-06</dcterms:created>
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de todos os amores

f&#234;mea em todas as metades
e poros  a paix&#227;o me queima
e quer e teima na tarde
do meu ser que se dissipa
em seu espelho adolescente

Iara florescente em teu silente
corpo me deixo e arrasto em canto
me arremesso e me ofere&#231;o
&#224; tua torrente turva
onde sou parca e onde me perco
incendida e quase morta
minha doce amiga das &#225;guas
de mim
ressurjo
das cinzas de mim

poema: stela silvestre
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    </item>
    <item>
      <title>amores de stela (I) - 2 vers&#245;es</title>
      <description>Oh minha doce dan&#231;arina,
Iara cujo canto reluz
de todo o teu corpo certeiro.
Embora Estela brilho apenas
se o meu canto escuro te evoca
e te recebe em minha boca!

poema: stela silvestre
voz: wilton cardoso</description>
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      <pubDate>Wed, 06 Dec 2006 12:59:36 GMT</pubDate>
      <dcterms:modified>2008-06-09</dcterms:modified>
      <dcterms:created>2006-12-06</dcterms:created>
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Iara cujo canto reluz
de todo o teu corpo certeiro.
Embora Estela brilho apenas
se o meu canto escuro te evoca
e te recebe em minha boca!

poema: stela silvestre
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    </item>
    <item>
      <title>Boi morto (2 vers&#245;es)</title>
      <description>Como em turvas &#225;guas de enchente,
Me sinto a meio submergido
Entre destro&#231;os do presente
Dividido, subdividido,
Onde rola, enorme, o boi morto.

Boi morto, boi morto, boi morto.

&#193;rvores da paisagem calma,
Convosco - altas, t&#227;o marginais! -
Fica a alma, a at&#244;nita alma,
At&#244;nita para jamais.
Que o corpo, esse vai com o boi morto,

Boi morto, boi morto, boi morto.

Boi morto, boi descomedido,
Boi espantosamente, boi
Morto, sem forma ou sentido
Ou significado. O que foi
Ningu&#233;m sabe. Agora &#233; boi morto,

Boi morto, boi morto, boi morto.

poema: manuel bandeira
voz: wilton cardoso</description>
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      <pubDate>Fri, 01 Dec 2006 15:43:18 GMT</pubDate>
      <dcterms:modified>2008-06-15</dcterms:modified>
      <dcterms:created>2006-12-01</dcterms:created>
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Me sinto a meio submergido
Entre destro&#231;os do presente
Dividido, subdividido,
Onde rola, enorme, o boi morto.

Boi morto, boi morto, boi morto.

&#193;rvores da paisagem calma,
Convosco - altas, t&#227;o marginais! -
Fica a alma, a at&#244;nita alma,
At&#244;nita para jamais.
Que o corpo, esse vai com o boi morto,

Boi morto, boi morto, boi morto.

Boi morto, boi descomedido,
Boi espantosamente, boi
Morto, sem forma ou sentido
Ou significado. O que foi
Ningu&#233;m sabe. Agora &#233; boi morto,

Boi morto, boi morto, boi morto.

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    </item>
    <item>
      <title>lira c&#233;tica e realista (2 vers&#245;es)</title>
      <description>depois que os homens est&#227;o mortos
revira-se a correspond&#234;ncia
&#224; procura de um afeto
um fato um feito um pensamento
que feche o c&#237;rculo sempre aberto
da prec&#225;ria exist&#234;ncia
depois que os homens morrem
fu&#231;am-lhe os escritos guardados
no ba&#250; a sete chaves 
em busca de uma chaga a gritar
algo al&#233;m do sil&#234;ncio inaudito
do que foi dito
ou ent&#227;o
depois que um homem morre
ningu&#233;m se lembrar&#225; de suas falas
e seus escritos eventuais
quedam calados numa gaveta qualquer
engolida pelo tempo
que diferen&#231;a faz
se estamos todos perdidos na dobra
de uma gaveta esquecida enfiada num rinc&#227;o long&#237;nquo
de uma gal&#225;xia espiral?

poema e voz: wilton cardoso</description>
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      <pubDate>Mon, 13 Nov 2006 17:07:31 GMT</pubDate>
      <dcterms:modified>2008-06-15</dcterms:modified>
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      <dc:creator>wilton cardoso</dc:creator>
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      <itunes:summary>depois que os homens est&#227;o mortos
revira-se a correspond&#234;ncia
&#224; procura de um afeto
um fato um feito um pensamento
que feche o c&#237;rculo sempre aberto
da prec&#225;ria exist&#234;ncia
depois que os homens morrem
fu&#231;am-lhe os escritos guardados
no ba&#250; a sete chaves 
em busca de uma chaga a gritar
algo al&#233;m do sil&#234;ncio inaudito
do que foi dito
ou ent&#227;o
depois que um homem morre
ningu&#233;m se lembrar&#225; de suas falas
e seus escritos eventuais
quedam calados numa gaveta qualquer
engolida pelo tempo
que diferen&#231;a faz
se estamos todos perdidos na dobra
de uma gaveta esquecida enfiada num rinc&#227;o long&#237;nquo
de uma gal&#225;xia espiral?

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    </item>
    <item>
      <title>can&#231;&#227;o do poeta velho (2 vers&#245;es)</title>
      <description>j&#225; fiz o que podia
poesia  prosa  contraste
entusiasmo e desastre

vai prestar? n&#227;o vai prestar?
vai depender da sua pot&#234;ncia
(alheia a qualquer vontade)
de l&#237;rio de v&#237;rus de peste

vivi um pouco de vida
o que p&#244;de meu fogo prec&#225;rio
iras amores e t&#233;dios

depois (agora) o que
fazer/viver no p&#243;s pouco
que pude fazer do viver

pedra   vazio   impasse

poema e voz: wilton cardoso</description>
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vai prestar? n&#227;o vai prestar?
vai depender da sua pot&#234;ncia
(alheia a qualquer vontade)
de l&#237;rio de v&#237;rus de peste

vivi um pouco de vida
o que p&#244;de meu fogo prec&#225;rio
iras amores e t&#233;dios

depois (agora) o que
fazer/viver no p&#243;s pouco
que pude fazer do viver

pedra   vazio   impasse

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    </item>
    <item>
      <title>&amp;quot;eis o bicho na jaula&amp;quot;</title>
      <description>eis o bicho na jaula
ele urra ele rosna
anda de l&#225; pra c&#225;
de c&#225; pra l&#225;
eis a fera aprisionada
pronta para o ataque
pronta com o olhar
de &#243;dio de t&#233;dio de f&#250;ria
contida   vida perdida

eis a sala os m&#243;veis o gabinete
eis a hora e a escola a polidez
a solidez de uma vida demarcada
e a sordidez da marola confort&#225;vel
de todo dia  dia a dia  
contar as horas que faltam
para a vida se fartar
daquela vida de faltas
nunca plenas

hei-lo
triste
apenas

poema e voz: wilton cardoso
</description>
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      <pubDate>Mon, 13 Nov 2006 16:56:26 GMT</pubDate>
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de c&#225; pra l&#225;
eis a fera aprisionada
pronta para o ataque
pronta com o olhar
de &#243;dio de t&#233;dio de f&#250;ria
contida   vida perdida

eis a sala os m&#243;veis o gabinete
eis a hora e a escola a polidez
a solidez de uma vida demarcada
e a sordidez da marola confort&#225;vel
de todo dia  dia a dia  
contar as horas que faltam
para a vida se fartar
daquela vida de faltas
nunca plenas

hei-lo
triste
apenas

poema e voz: wilton cardoso
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    </item>
    <item>
      <title>&amp;quot;n&#227;o quero o poema duro&amp;quot;</title>
      <description>n&#227;o quero o poema duro
n&#227;o quero o poema escuro
n&#227;o o quero singelo
nem l&#237;rico nem puro
n&#227;o quero o poema engenho 
construto que estruturo
n&#227;o o quero conciso
preciso claro ou raro
o poema ossu&#225;rio
n&#227;o o quero ralo
nem o poema sujo
maldito palavr&#225;rio
(ainda muito limpo)
n&#227;o quero o poema limbo
n&#227;o o quero calc&#225;rio
n&#227;o quero a c&#225;rie na sua cara
muito menos o antigo
arcaico o arco da velha
o poema desdentado
n&#227;o serve para agora
n&#227;o quero

eu quero a quimera 
que n&#227;o chegou a palavra
eu quero as mil ondas
do poema gaguejado
que n&#227;o chega a ser falado
a poesia
de uma chaga gaga
derramada praguejada
pelo cu   o poemerda
cagado no mundo cagado

poema e voz: wilton cardoso</description>
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      <pubDate>Mon, 13 Nov 2006 16:50:57 GMT</pubDate>
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n&#227;o o quero singelo
nem l&#237;rico nem puro
n&#227;o quero o poema engenho 
construto que estruturo
n&#227;o o quero conciso
preciso claro ou raro
o poema ossu&#225;rio
n&#227;o o quero ralo
nem o poema sujo
maldito palavr&#225;rio
(ainda muito limpo)
n&#227;o quero o poema limbo
n&#227;o o quero calc&#225;rio
n&#227;o quero a c&#225;rie na sua cara
muito menos o antigo
arcaico o arco da velha
o poema desdentado
n&#227;o serve para agora
n&#227;o quero

eu quero a quimera 
que n&#227;o chegou a palavra
eu quero as mil ondas
do poema gaguejado
que n&#227;o chega a ser falado
a poesia
de uma chaga gaga
derramada praguejada
pelo cu   o poemerda
cagado no mundo cagado

poema e voz: wilton cardoso</itunes:summary>
    </item>
    <item>
      <title>ex-littera II</title>
      <description>quero gozar nesta defunta
mesmo morta eu amo tanto
esta vadia esta puta
possu&#237;da pelos homens

quero abra&#231;ar as suas carnes podres
sentir o cheiro decomposto
de todos os seus tecidos
j&#225; meio misturados com a terra
pelo amor dos vermes

quero beijar principalmente
a sua l&#237;ngua carcomida
quero o &#250;ltimo peda&#231;o 
dos seus l&#225;bios necrosados
na minha boca   eu quero 
o bafo da sua boca

quero o meu esperma
no seu corpo desconforme
multiplicando-se   agora   sem ordem
numa vida mais fecunda
do que quando ela vivia
perfumada pelo bares 
como eu quero esta defunta!

fazer ela gozar um gozo sujo
faz&#234;-la procriar dez mil dem&#244;nios
povoar a terra inteira de piolhos
plantar sua dem&#234;ncia nas entranhas
deste mundo mapeado

como eu quero este coito pervertido
para que nas&#231;a outra coisa
nem humana nem tecido
uma coisa gerada no cu do mundo
para que as almas de si esquecidas
decompostas recomponham
uma nova vida sem rancor

poema e voz: wilton cardoso
</description>
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      <pubDate>Mon, 13 Nov 2006 16:44:40 GMT</pubDate>
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mesmo morta eu amo tanto
esta vadia esta puta
possu&#237;da pelos homens

quero abra&#231;ar as suas carnes podres
sentir o cheiro decomposto
de todos os seus tecidos
j&#225; meio misturados com a terra
pelo amor dos vermes

quero beijar principalmente
a sua l&#237;ngua carcomida
quero o &#250;ltimo peda&#231;o 
dos seus l&#225;bios necrosados
na minha boca   eu quero 
o bafo da sua boca

quero o meu esperma
no seu corpo desconforme
multiplicando-se   agora   sem ordem
numa vida mais fecunda
do que quando ela vivia
perfumada pelo bares 
como eu quero esta defunta!

fazer ela gozar um gozo sujo
faz&#234;-la procriar dez mil dem&#244;nios
povoar a terra inteira de piolhos
plantar sua dem&#234;ncia nas entranhas
deste mundo mapeado

como eu quero este coito pervertido
para que nas&#231;a outra coisa
nem humana nem tecido
uma coisa gerada no cu do mundo
para que as almas de si esquecidas
decompostas recomponham
uma nova vida sem rancor

poema e voz: wilton cardoso
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    </item>
    <item>
      <title>&amp;quot;a coisa &#233; feita de ru&#237;dos&amp;quot;</title>
      <description>a coisa &#233; feita de ru&#237;dos
pu&#237;dos ou rec&#233;m
nascidos
doloridos ou n&#227;o
n&#227;o importam muito os idos
desde que bem imbricados
os ru&#237;dos
&#160;
&#233; um of&#237;cio dif&#237;cil
precisa estar concentrado
at&#233; o &#250;ltimo lance
de dados
os neur&#244;nios todos ligados
&#160;
por outro lado
&#233; extrema
mente f&#225;cil
basta estar distra&#237;do
(como dizia o leminski)
pra (ou)vir um bom ru&#237;do
&#160;
a gente faz o que pode
alguma vez vai bem
na maior parte
se fode

poema e voz: wilton cardoso</description>
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      <pubDate>Mon, 13 Nov 2006 16:39:40 GMT</pubDate>
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      <dc:creator>wilton cardoso</dc:creator>
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n&#227;o importam muito os idos
desde que bem imbricados
os ru&#237;dos
&#160;
&#233; um of&#237;cio dif&#237;cil
precisa estar concentrado
at&#233; o &#250;ltimo lance
de dados
os neur&#244;nios todos ligados
&#160;
por outro lado
&#233; extrema
mente f&#225;cil
basta estar distra&#237;do
(como dizia o leminski)
pra (ou)vir um bom ru&#237;do
&#160;
a gente faz o que pode
alguma vez vai bem
na maior parte
se fode

poema e voz: wilton cardoso</itunes:summary>
    </item>
    <item>
      <title>lugar comum</title>
      <description>madrugada
a tv est&#225; calada
n&#227;o se fala mais nada
na sala   na casa fechada
as frutas sobre o balc&#227;o
esperam ser guardadas

prazeres funcion&#225;rios
postos sobre a mesa
uma pizza calabresa
e um copo de cerveja

amanh&#227; &#233; o trabalho
a vida funcionando
o murm&#250;rio da cidade

a vida    uma cilada
a rotina &#233; o caralho
embaralho noites e dias
em barulhos e sil&#234;ncios 
cegos-surdos se lan&#231;ando
num caos de letras caladas

mais um copo e mais outro
at&#233; curar esta ang&#250;stia
e sua filosofia
barata de cozinha

poema e voz: wilton cardoso</description>
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      <pubDate>Mon, 13 Nov 2006 16:32:50 GMT</pubDate>
      <dcterms:modified>2008-03-21</dcterms:modified>
      <dcterms:created>2006-11-13</dcterms:created>
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      <dc:creator>wilton cardoso</dc:creator>
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na sala   na casa fechada
as frutas sobre o balc&#227;o
esperam ser guardadas

prazeres funcion&#225;rios
postos sobre a mesa
uma pizza calabresa
e um copo de cerveja

amanh&#227; &#233; o trabalho
a vida funcionando
o murm&#250;rio da cidade

a vida    uma cilada
a rotina &#233; o caralho
embaralho noites e dias
em barulhos e sil&#234;ncios 
cegos-surdos se lan&#231;ando
num caos de letras caladas

mais um copo e mais outro
at&#233; curar esta ang&#250;stia
e sua filosofia
barata de cozinha

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    </item>
    <item>
      <title>&amp;quot;de dan&#231;a em dan&#231;a&amp;quot;</title>
      <description>de dan&#231;a em dan&#231;a
o efeito est&#225; feito
no fundo o efeito
n&#227;o &#233;

quem &#233;
que vai saber
que ex-isto?

raro
rarefeito
contrafeito
desafeto
de mim

caro eu
abundante
mente
encontr&#225;vel
em qualquer super
(homem? n&#227;o)
mercado
barato

apenas um efeito capital
marx explica e freud regurgita
um efeito men
tal de um tao mal egolido

eis-me apenas   eu ex-eu semi-ateu 
sem c&#233;us nem v&#233;us e nem m&#225;s
cara alguma
um burocrata encalacrado em seu pr&#243;prio kratos

poema e voz: wilton cardoso</description>
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      <pubDate>Mon, 13 Nov 2006 16:10:09 GMT</pubDate>
      <dcterms:modified>2008-03-21</dcterms:modified>
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que ex-isto?

raro
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contrafeito
desafeto
de mim

caro eu
abundante
mente
encontr&#225;vel
em qualquer super
(homem? n&#227;o)
mercado
barato

apenas um efeito capital
marx explica e freud regurgita
um efeito men
tal de um tao mal egolido

eis-me apenas   eu ex-eu semi-ateu 
sem c&#233;us nem v&#233;us e nem m&#225;s
cara alguma
um burocrata encalacrado em seu pr&#243;prio kratos

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    </item>
    <item>
      <title>&amp;quot;eu quero s&#243; o pop&amp;quot;</title>
      <description>eu quero s&#243; o pop
o leite o deleite
o f&#225;cil o t&#225;ctil as tetas
das beatas beats
eu quero as bruxas
nas frinchas das latas
de iogurte

ver tv como quem toma um banho de v&#237;rus
viro um vampiro doando sangue
ao banco da pra&#231;a
cada vez mais sem gra&#231;a

meu neg&#243;cio &#233; ser pop
rock tosco rude
nada erudito
dito maldito
mito enrustido

meu lance &#233; o pop
estar v&#225;cuo sem estrela
estela estrangeira

meu neg&#243;cio &#233; ser s&#243;

poema e voz: wilton cardoso</description>
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      <pubDate>Mon, 13 Nov 2006 16:02:41 GMT</pubDate>
      <dcterms:modified>2008-06-15</dcterms:modified>
      <dcterms:created>2006-11-13</dcterms:created>
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      <dc:creator>wilton cardoso</dc:creator>
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o leite o deleite
o f&#225;cil o t&#225;ctil as tetas
das beatas beats
eu quero as bruxas
nas frinchas das latas
de iogurte

ver tv como quem toma um banho de v&#237;rus
viro um vampiro doando sangue
ao banco da pra&#231;a
cada vez mais sem gra&#231;a

meu neg&#243;cio &#233; ser pop
rock tosco rude
nada erudito
dito maldito
mito enrustido

meu lance &#233; o pop
estar v&#225;cuo sem estrela
estela estrangeira

meu neg&#243;cio &#233; ser s&#243;

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    </item>
    <item>
      <title>&amp;quot;escrevi o mesmo livro&amp;quot;</title>
      <description>escrevi o mesmo livro
a vida inteira
o crep&#250;sculo cai sobre a cidade
e um frescor sombrio a invade

crian&#231;as voltam da escola
o crep&#250;sculo desenha no horizonte
um c&#233;u vermelho   vivo   a vida toda
o mesmo ciclo de acasos e ocasos
a cidade banha-se de sombras
emba&#231;ando o arvoredo e a passarada

as pessoas v&#227;o descansar
para outra aurora
o v&#237;cio 
de viver dia ap&#243;s dia
a vida agora vida afora (a agonia)

a mesma sina a mesma estrada anoitecida
banhada de tristeza e salpicada
parcamente por um pouco de alegria
muito breve muito leve e fugidia

poema e voz: wilton cardoso</description>
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      <pubDate>Thu, 09 Nov 2006 12:39:47 GMT</pubDate>
      <dcterms:modified>2008-06-09</dcterms:modified>
      <dcterms:created>2006-11-09</dcterms:created>
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a vida inteira
o crep&#250;sculo cai sobre a cidade
e um frescor sombrio a invade

crian&#231;as voltam da escola
o crep&#250;sculo desenha no horizonte
um c&#233;u vermelho   vivo   a vida toda
o mesmo ciclo de acasos e ocasos
a cidade banha-se de sombras
emba&#231;ando o arvoredo e a passarada

as pessoas v&#227;o descansar
para outra aurora
o v&#237;cio 
de viver dia ap&#243;s dia
a vida agora vida afora (a agonia)

a mesma sina a mesma estrada anoitecida
banhada de tristeza e salpicada
parcamente por um pouco de alegria
muito breve muito leve e fugidia

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    </item>
    <item>
      <title>&amp;quot;e agora z&#233;&amp;quot;</title>
      <description>e agora z&#233;
literatura acabou
contracultura
&#233; a favor
utopia rodou
p&#233; na estrada &#233; turismo
ismo nenhum sobrou
todo sonho so
           &#231;obrou 

e agora z&#233;
droga &#233; mercado
marginal     &#233; orga
              nizado
toda rima &#233; suspeita
de conspirar com uma cifra
cisma alguma
                vai dar
                          n&#8217;algum cisma

e agora z&#233;
que fazer do que resta 
                       da festa
que que eu fa&#231;o com o agora

poema e voz: wilton cardoso</description>
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      <pubDate>Thu, 09 Nov 2006 12:32:06 GMT</pubDate>
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      <dcterms:created>2006-11-09</dcterms:created>
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utopia rodou
p&#233; na estrada &#233; turismo
ismo nenhum sobrou
todo sonho so
           &#231;obrou 

e agora z&#233;
droga &#233; mercado
marginal     &#233; orga
              nizado
toda rima &#233; suspeita
de conspirar com uma cifra
cisma alguma
                vai dar
                          n&#8217;algum cisma

e agora z&#233;
que fazer do que resta 
                       da festa
que que eu fa&#231;o com o agora

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    </item>
    <item>
      <title>&amp;quot;hoje amanheceu t&#227;o fresco&amp;quot;</title>
      <description>hoje amanheceu t&#227;o fresco
n&#227;o a manh&#227; nem o ar
nem esta brisa em mim t&#227;o leve
amanheceu o dia em mim
como h&#225; muito n&#227;o fazia
soprou uma brisa breve
no meu pensamento
fez-me esquecer de pensar
esquecer do dia duro por vir  
esquecer de mim   t&#227;o leve
eu estive esta manh&#227;
a alma t&#227;o calma t&#227;o nova
t&#227;o alva    quase n&#227;o havia
como em menino  tudo
era descoberta e magia
t&#227;o fresco amanheceu-me o dia

poema e voz: wilton cardoso</description>
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      <pubDate>Thu, 09 Nov 2006 12:26:59 GMT</pubDate>
      <dcterms:modified>2008-06-16</dcterms:modified>
      <dcterms:created>2006-11-09</dcterms:created>
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      <dc:creator>wilton cardoso</dc:creator>
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amanheceu o dia em mim
como h&#225; muito n&#227;o fazia
soprou uma brisa breve
no meu pensamento
fez-me esquecer de pensar
esquecer do dia duro por vir  
esquecer de mim   t&#227;o leve
eu estive esta manh&#227;
a alma t&#227;o calma t&#227;o nova
t&#227;o alva    quase n&#227;o havia
como em menino  tudo
era descoberta e magia
t&#227;o fresco amanheceu-me o dia

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    </item>
    <item>
      <title>&amp;quot;quero um texto claro&amp;quot;</title>
      <description>quero um texto claro   preciso
de &#225;gua l&#237;mpida doce did&#225;tica
quase matem&#225;tica   l&#243;gica
metros ritos incisivos
sobre a carne das palavras
reduzidas a osso e oco
cubos e axiomas sem eco
&#160;
e depois de toda essa assepsia
injetar algumas gotas de anexato
o m&#237;nimo mil&#237;metro preciso
para ante tanta limpidez desse deserto
estontear todas as rotas    suas
corpo repleto

poema e voz: wilton cardoso</description>
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      <pubDate>Thu, 09 Nov 2006 12:23:24 GMT</pubDate>
      <dcterms:modified>2008-06-13</dcterms:modified>
      <dcterms:created>2006-11-09</dcterms:created>
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      <dc:creator>wilton cardoso</dc:creator>
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metros ritos incisivos
sobre a carne das palavras
reduzidas a osso e oco
cubos e axiomas sem eco
&#160;
e depois de toda essa assepsia
injetar algumas gotas de anexato
o m&#237;nimo mil&#237;metro preciso
para ante tanta limpidez desse deserto
estontear todas as rotas    suas
corpo repleto

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    </item>
    <item>
      <title>Cantiga de enganar</title>
      <description>O mundo n&#227;o vale o mundo, meu bem. 
Eu plantei um p&#233;-de-sono, 
brotaram vinte roseiras. 
Se me cortei nelas todas 
e se todas me tingiram 
de um vago sangue jorrado 
ao capricho dos espinhos, 
n&#227;o foi culpa de ningu&#233;m. 
O mundo, meu bem, n&#227;o vale 
a pena, e a face serena 
vale a face torturada. 
H&#225; muito aprendi a rir, 
de qu&#234;? de mim? ou de nada? 
O mundo, valer n&#227;o vale. 
Tal como sombra no vale, 
a vida baixa... e se sobe 
algum som deste declive, 
n&#227;o &#233; grito de pastor 
convocando seu rebanho. 
N&#227;o &#233; flauta, n&#227;o &#233; canto 
de amoroso desencanto. 
N&#227;o &#233; suspiro de grilo, 
voz noturna de correntes, 
n&#227;o &#233; m&#227;e chamando filho, 
n&#227;o &#233; silvo de serpentes 
esquecidas de morder 
como abstratas ao luar. 
N&#227;o &#233; choro de crian&#231;a 
para um homem se formar. 

(...) 

N&#227;o &#233; nem isto, nem nada. 
&#201; som que precede a m&#250;sica, 
sobrante dos desencontros 
e dos encontros fortuitos, 
dos malencontros e das 
miragens que se condensam 
ou que se dissolvem noutras 
absurdas figura&#231;&#245;es. 
O mundo n&#227;o tem sentido. 
O mundo e suas can&#231;&#245;es 
de timbre mais comovido 
est&#227;o calados, e a fala 
que de uma para outra sala 
ouvimos em certo instante 
&#233; sil&#234;ncio que faz eco 
e que volta a ser sil&#234;ncio 
no negrume circundante. 
Sil&#234;ncio: que quer dizer? 
Que diz a boca do mundo? 
Meu bem, o mundo &#233; fechado, 
se n&#227;o for antes vazio. 
O mundo &#233; talvez: e &#233; s&#243;. 
Talvez nem seja talvez. 
O mundo n&#227;o vale a pena, 
mas a pena n&#227;o existe. 
Meu bem, fa&#231;amos de conta. 
de sofrer e de olvidar, 
de lembrar e de fruir, 
de escolher nossas lembran&#231;as 
e revert&#234;-las, acaso 
se lembrem demais em n&#243;s. 
Fa&#231;amos, meu bem, de conta 
&#8212; mas a conta n&#227;o existe &#8212; 
que &#233; tudo como se fosse, 
ou que, se fora, n&#227;o era. 
Meu bem, usemos palavras. 
fa&#231;amos mundos: id&#233;ias. 
Deixemos o mundo aos outros 
j&#225; que o querem gastar. 
Meu bem, sejamos fort&#237;ssimos 
&#8212; mas a for&#231;a n&#227;o existe &#8212; 
e na mais pura mentira 
do mundo que se desmente, 
recortemos nossa imagem, 
mais ilus&#243;ria que tudo, 
pois haver&#225; maior falso 
que imaginar-se algu&#233;m vivo, 
como se um sonho pudesse 
dar-nos o gosto do sonho? 
Mas o sonho n&#227;o existe. 
Meu bem, assim acordados, 
assim l&#250;cidos, severos, 
ou assim abandonados, 
deixando-nos &#224; deriva 
levar na palma do tempo 
&#8212; mas o tempo n&#227;o existe, 
sejamos como se f&#244;ramos 
num mundo que fosse: o Mundo.

poema: carlos drummond de andrade
voz: wilton cardoso</description>
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      <pubDate>Thu, 26 Oct 2006 18:58:25 GMT</pubDate>
      <dcterms:modified>2008-06-09</dcterms:modified>
      <dcterms:created>2006-10-26</dcterms:created>
      <link>http://ruidosvocais.podOmatic.com</link>
      <dc:creator>wilton cardoso</dc:creator>
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Eu plantei um p&#233;-de-sono, 
brotaram vinte roseiras. 
Se me cortei nelas todas 
e se todas me tingiram 
de um vago sangue jorrado 
ao capricho dos espinhos, 
n&#227;o foi culpa de ningu&#233;m. 
O mundo, meu bem, n&#227;o vale 
a pena, e a face serena 
vale a face torturada. 
H&#225; muito aprendi a rir, 
de qu&#234;? de mim? ou de nada? 
O mundo, valer n&#227;o vale. 
Tal como sombra no vale, 
a vida baixa... e se sobe 
algum som deste declive, 
n&#227;o &#233; grito de pastor 
convocando seu rebanho. 
N&#227;o &#233; flauta, n&#227;o &#233; canto 
de amoroso desencanto. 
N&#227;o &#233; suspiro de grilo, 
voz noturna de correntes, 
n&#227;o &#233; m&#227;e chamando filho, 
n&#227;o &#233; silvo de serpentes 
esquecidas de morder 
como abstratas ao luar. 
N&#227;o &#233; choro de crian&#231;a 
para um homem se formar. 

(...) 

N&#227;o &#233; nem isto, nem nada. 
&#201; som que precede a m&#250;sica, 
sobrante dos desencontros 
e dos encontros fortuitos, 
dos malencontros e das 
miragens que se condensam 
ou que se dissolvem noutras 
absurdas figura&#231;&#245;es. 
O mundo n&#227;o tem sentido. 
O mundo e suas can&#231;&#245;es 
de timbre mais comovido 
est&#227;o calados, e a fala 
que de uma para outra sala 
ouvimos em certo instante 
&#233; sil&#234;ncio que faz eco 
e que volta a ser sil&#234;ncio 
no negrume circundante. 
Sil&#234;ncio: que quer dizer? 
Que diz a boca do mundo? 
Meu bem, o mundo &#233; fechado, 
se n&#227;o for antes vazio. 
O mundo &#233; talvez: e &#233; s&#243;. 
Talvez nem seja talvez. 
O mundo n&#227;o vale a pena, 
mas a pena n&#227;o existe. 
Meu bem, fa&#231;amos de conta. 
de sofrer e de olvidar, 
de lembrar e de fruir, 
de escolher nossas lembran&#231;as 
e revert&#234;-las, acaso 
se lembrem demais em n&#243;s. 
Fa&#231;amos, meu bem, de conta 
&#8212; mas a conta n&#227;o existe &#8212; 
que &#233; tudo como se fosse, 
ou que, se fora, n&#227;o era. 
Meu bem, usemos palavras. 
fa&#231;amos mundos: id&#233;ias. 
Deixemos o mundo aos outros 
j&#225; que o querem gastar. 
Meu bem, sejamos fort&#237;ssimos 
&#8212; mas a for&#231;a n&#227;o existe &#8212; 
e na mais pura mentira 
do mundo que se desmente, 
recortemos nossa imagem, 
mais ilus&#243;ria que tudo, 
pois haver&#225; maior falso 
que imaginar-se algu&#233;m vivo, 
como se um sonho pudesse 
dar-nos o gosto do sonho? 
Mas o sonho n&#227;o existe. 
Meu bem, assim acordados, 
assim l&#250;cidos, severos, 
ou assim abandonados, 
deixando-nos &#224; deriva 
levar na palma do tempo 
&#8212; mas o tempo n&#227;o existe, 
sejamos como se f&#244;ramos 
num mundo que fosse: o Mundo.

poema: carlos drummond de andrade
voz: wilton cardoso</itunes:summary>
    </item>
    <item>
      <title>poema sujo (trecho inicial)</title>
      <description>                           turvo turvo
                           a turva
                           m&#227;o do sopro
                           contra o muro
                           escuro
                           menos menos
                           menos que escuro
menos que mole e duro menos que fosso e muro: menos que furo
                           escuro
                           mais que escuro:
                           claro
como &#225;gua? como pluma? claro mais que claro claro: coisa alguma
                           e tudo
                           (ou quase)
um bicho que o universo fabrica e vem sonhando desde as entranhas
                          azul
                          era o gato
                          azul
                          era o galo
                          azul
                          o cavalo
                          azul
                          teu cu
tua gengiva igual a tua bocetinha que parecia sorrir entre as folhas de
banana entre os cheiros de flor e bosta de porco aberta como 
uma boca do corpo (n&#227;o como a tua boca de palavras) como uma 
entrada para
                                                                  eu n&#227;o sabia tu
                                                                  n&#227;o sabias
                                                                  fazer girar a vida
com seu mont&#227;o de estrelas e oceano
                                                                  entrando-nos em ti  

                         bela bela 
                         mais que bela 
                         mas como era o nome dela?
                         N&#227;o era Helena nem Vera 
                         nem Nara nem Gabriela 
                         nem Tereza nem Maria 
                        Seu nome seu nome era... 
                        Perdeu-se na carne fria
perdeu na confus&#227;o de tanta noite e tanto dia 
perdeu-se na profus&#227;o das coisas acontecidas 
                        constela&#231;&#245;es de alfabeto 
                        noites escritas a giz 
                        pastilhas de anivers&#225;rio 
                       domingos de futebol 
                        enterros corsos com&#237;cios 
                        roleta bilhar baralho 
mudou de cara e cabelos mudou de olhos e risos mudou de casa 
e de tempo: mas est&#225; comigo est&#225; 
                        perdido comigo 
                        teu nome 
                        em alguma gaveta  

poema: ferreira gullar
voz: wilton cardoso</description>
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      <comments>http://ruidosvocais.podOmatic.com/entry/2006-10-26T09_22_26-07_00</comments>
      <pubDate>Thu, 26 Oct 2006 16:22:26 GMT</pubDate>
      <dcterms:modified>2008-06-16</dcterms:modified>
      <dcterms:created>2006-10-26</dcterms:created>
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      <dc:creator>wilton cardoso</dc:creator>
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      <itunes:summary>                           turvo turvo
                           a turva
                           m&#227;o do sopro
                           contra o muro
                           escuro
                           menos menos
                           menos que escuro
menos que mole e duro menos que fosso e muro: menos que furo
                           escuro
                           mais que escuro:
                           claro
como &#225;gua? como pluma? claro mais que claro claro: coisa alguma
                           e tudo
                           (ou quase)
um bicho que o universo fabrica e vem sonhando desde as entranhas
                          azul
                          era o gato
                          azul
                          era o galo
                          azul
                          o cavalo
                          azul
                          teu cu
tua gengiva igual a tua bocetinha que parecia sorrir entre as folhas de
banana entre os cheiros de flor e bosta de porco aberta como 
uma boca do corpo (n&#227;o como a tua boca de palavras) como uma 
entrada para
                                                                  eu n&#227;o sabia tu
                                                                  n&#227;o sabias
                                                                  fazer girar a vida
com seu mont&#227;o de estrelas e oceano
                                                                  entrando-nos em ti  

                         bela bela 
                         mais que bela 
                         mas como era o nome dela?
                         N&#227;o era Helena nem Vera 
                         nem Nara nem Gabriela 
                         nem Tereza nem Maria 
                        Seu nome seu nome era... 
                        Perdeu-se na carne fria
perdeu na confus&#227;o de tanta noite e tanto dia 
perdeu-se na profus&#227;o das coisas acontecidas 
                        constela&#231;&#245;es de alfabeto 
                        noites escritas a giz 
                        pastilhas de anivers&#225;rio 
                       domingos de futebol 
                        enterros corsos com&#237;cios 
                        roleta bilhar baralho 
mudou de cara e cabelos mudou de olhos e risos mudou de casa 
e de tempo: mas est&#225; comigo est&#225; 
                        perdido comigo 
                        teu nome 
                        em alguma gaveta  

poema: ferreira gullar
voz: wilton cardoso</itunes:summary>
    </item>
    <item>
      <title>&amp;quot;o eco &#233; a sombra sonora&amp;quot;</title>
      <description>o eco &#233; a sombra sonora
daquela voz aurora
daquela voz outrora
daquela voz canora
que chora o her&#243;i morto
e celebra o mito vivo
renascido ao infinito

daquela voz agora
s&#243; sobra a sombra   o oco
do eco perdido da voz
no rio sem fonte e sem foz
de uma boca que se evola

poema e voz: wilton cardoso</description>
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      <pubDate>Mon, 23 Oct 2006 17:51:13 GMT</pubDate>
      <dcterms:modified>2008-06-09</dcterms:modified>
      <dcterms:created>2006-10-23</dcterms:created>
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daquela voz aurora
daquela voz outrora
daquela voz canora
que chora o her&#243;i morto
e celebra o mito vivo
renascido ao infinito

daquela voz agora
s&#243; sobra a sombra   o oco
do eco perdido da voz
no rio sem fonte e sem foz
de uma boca que se evola

poema e voz: wilton cardoso</itunes:summary>
    </item>
    <item>
      <title>&amp;quot;a cidade se oferece ao olhar&amp;quot;</title>
      <description>a cidade se oferece ao olhar
que a fita   fixa   de um lugar
horizonte desdobrado na iman&#234;ncia
do espa&#231;o indiferente em que se movem
olho e paisagem
                              miragem
                                                sensa&#231;&#227;o
mirada de um ponto que se arrisca
e precipita-se na linha movedi&#231;a
do acaso     a perder de vista

olhar &#233; um jogo de azar

poema e voz: wilton cardoso</description>
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      <pubDate>Mon, 23 Oct 2006 17:28:23 GMT</pubDate>
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que a fita   fixa   de um lugar
horizonte desdobrado na iman&#234;ncia
do espa&#231;o indiferente em que se movem
olho e paisagem
                              miragem
                                                sensa&#231;&#227;o
mirada de um ponto que se arrisca
e precipita-se na linha movedi&#231;a
do acaso     a perder de vista

olhar &#233; um jogo de azar

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    </item>
    <item>
      <title>Beijo</title>
      <description>A este peda&#231;o de p&#243;,
talvez por um sopro de acaso
no caos, foi dado um querer
infinito e um saber-se prec&#225;rio.

Te imprimo um beijo
turbilh&#227;o de desejos fora de mim,
donos de mim, quase desfeito 
rastro que te deixo
enquanto queimo,

vento do momento.

poema e voz: wilton cardoso</description>
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      <pubDate>Mon, 23 Oct 2006 17:26:31 GMT</pubDate>
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talvez por um sopro de acaso
no caos, foi dado um querer
infinito e um saber-se prec&#225;rio.

Te imprimo um beijo
turbilh&#227;o de desejos fora de mim,
donos de mim, quase desfeito 
rastro que te deixo
enquanto queimo,

vento do momento.

poema e voz: wilton cardoso</itunes:summary>
    </item>
    <item>
      <title>rumo ao sumo</title>
      <description>      Disfar&#231;a, tem gente olhando.
Uns, olham pro alto,
      cometas, luas, gal&#225;xias.
Outros, olham de banda,
      lunetas, luares, sintaxes.
De frente ou de lado,
      sempre tem gente olhando,
olhando ou sendo olhado.

      Outros olham para baixo,
procurando algum vest&#237;gio
      do tempo que a gente acha,
em busca do espa&#231;o perdido.
      Raros olham para dentro,
j&#225; que dentro n&#227;o tem nada.
      Apenas um peso imenso,
a alma, esse conto de fada.

poema: paulo leminski
voz: wilton cardoso</description>
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      <pubDate>Mon, 23 Oct 2006 17:23:41 GMT</pubDate>
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Uns, olham pro alto,
      cometas, luas, gal&#225;xias.
Outros, olham de banda,
      lunetas, luares, sintaxes.
De frente ou de lado,
      sempre tem gente olhando,
olhando ou sendo olhado.

      Outros olham para baixo,
procurando algum vest&#237;gio
      do tempo que a gente acha,
em busca do espa&#231;o perdido.
      Raros olham para dentro,
j&#225; que dentro n&#227;o tem nada.
      Apenas um peso imenso,
a alma, esse conto de fada.

poema: paulo leminski
voz: wilton cardoso</itunes:summary>
    </item>
    <item>
      <title>drumm&#225;rio em lira dilu&#237;da</title>
      <description>&#233; in&#250;til amar
mas &#233; t&#227;o in&#250;til amar
os que amam sabem disso exasperadamente
desesperadamente sabem que &#233; in&#250;til
absolutamente in&#250;til amar

no entanto tanta gente ama
ou busca o amor 
estar apaixonado ou provocar
um desejo desmedido
um amar empedernido
demon&#237;aco banal
nobre   celestial
um amor que cobre
a vida e cobre a morte
e a alma   cada palmo da alma
um amor   coisa t&#227;o besta
e fora de moda  o amor &#233; t&#227;o rico
e faz dos homens pobres homens
pobre do homem
povoado de sedes
um amor um amor um ah! amor

poema e voz: wilton cardoso</description>
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      <pubDate>Mon, 23 Oct 2006 17:20:59 GMT</pubDate>
      <dcterms:modified>2008-06-12</dcterms:modified>
      <dcterms:created>2006-10-23</dcterms:created>
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mas &#233; t&#227;o in&#250;til amar
os que amam sabem disso exasperadamente
desesperadamente sabem que &#233; in&#250;til
absolutamente in&#250;til amar

no entanto tanta gente ama
ou busca o amor 
estar apaixonado ou provocar
um desejo desmedido
um amar empedernido
demon&#237;aco banal
nobre   celestial
um amor que cobre
a vida e cobre a morte
e a alma   cada palmo da alma
um amor   coisa t&#227;o besta
e fora de moda  o amor &#233; t&#227;o rico
e faz dos homens pobres homens
pobre do homem
povoado de sedes
um amor um amor um ah! amor

poema e voz: wilton cardoso</itunes:summary>
    </item>
    <item>
      <title>&amp;quot;j&#225; me matei faz muito tempo&amp;quot; &amp;amp; &amp;quot;vim pelo caminho dif&#237;cil&amp;quot;</title>
      <description>j&#225; me matei faz muito tempo 
me matei quando o tempo era escasso 
e o que havia entre o tempo e o espa&#231;o 
era o de sempre 
nunca mesmo o sempre passo

morrer faz bem &#224; vista e ao ba&#231;o 
melhora o ritmo do pulso 
e clareia a alma

morrer de vez em quando 
&#233; a &#250;nica coisa que me acalma.

---------------------------------------------

     Vim pelo caminho dif&#237;cil,
a linha que nunca termina,
     a linha bate na pedra,
a palavra quebra uma esquina,
     m&#237;nima linha vazia,
a linha, uma vida inteira,
     palavra, palavra minha.

poemas: paulo leminski
voz: wilton</description>
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      <pubDate>Mon, 16 Oct 2006 20:25:13 GMT</pubDate>
      <dcterms:modified>2008-06-09</dcterms:modified>
      <dcterms:created>2006-10-16</dcterms:created>
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      <dc:creator>wilton cardoso</dc:creator>
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      <itunes:summary>j&#225; me matei faz muito tempo 
me matei quando o tempo era escasso 
e o que havia entre o tempo e o espa&#231;o 
era o de sempre 
nunca mesmo o sempre passo

morrer faz bem &#224; vista e ao ba&#231;o 
melhora o ritmo do pulso 
e clareia a alma

morrer de vez em quando 
&#233; a &#250;nica coisa que me acalma.

---------------------------------------------

     Vim pelo caminho dif&#237;cil,
a linha que nunca termina,
     a linha bate na pedra,
a palavra quebra uma esquina,
     m&#237;nima linha vazia,
a linha, uma vida inteira,
     palavra, palavra minha.

poemas: paulo leminski
voz: wilton</itunes:summary>
    </item>
    <item>
      <title>HAI / CAI</title>
      <description>      HAI

      Eis que nasce completo
e, ao morrer, morre germe,
      o desejo, analfabeto,
de saber como reger-me,
      ah, saber como me ajeito
para que eu seja quem fui,
      eis o que nasce perfeito
e, ao crescer, diminui.

      KAI

      M&#237;nimo templo
para um deus pequeno,
      aqui vos guarda,
em vez da dor que peno,
      meu extremo anjo de vanguarda.

      De que m&#225;scara
se gaba sua l&#225;stima,
      de que vaga
se vangloria sua hist&#243;ria,
      saiba quem saiba.

      A mim me basta
a sombra que se deixa,
      o corpo que se afasta.

poema: paulo leminski
voz: wilton cardoso</description>
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      <pubDate>Mon, 16 Oct 2006 20:02:23 GMT</pubDate>
      <dcterms:modified>2008-03-21</dcterms:modified>
      <dcterms:created>2006-10-16</dcterms:created>
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      <dc:creator>wilton cardoso</dc:creator>
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      Eis que nasce completo
e, ao morrer, morre germe,
      o desejo, analfabeto,
de saber como reger-me,
      ah, saber como me ajeito
para que eu seja quem fui,
      eis o que nasce perfeito
e, ao crescer, diminui.

      KAI

      M&#237;nimo templo
para um deus pequeno,
      aqui vos guarda,
em vez da dor que peno,
      meu extremo anjo de vanguarda.

      De que m&#225;scara
se gaba sua l&#225;stima,
      de que vaga
se vangloria sua hist&#243;ria,
      saiba quem saiba.

      A mim me basta
a sombra que se deixa,
      o corpo que se afasta.

poema: paulo leminski
voz: wilton cardoso</itunes:summary>
    </item>
    <item>
      <title>aviso aos n&#225;ufragos</title>
      <description>     Esta p&#225;gina, por exemplo,
n&#227;o nasceu para ser lida.
     Nasceu para ser p&#225;lida,
um mero pl&#225;gio da Il&#237;ada,
     alguma coisa que cala,
folha que volta pro galho,
     muito depois de ca&#237;da.

     Nasceu para ser praia,
quem sabe Andr&#244;meda, Ant&#225;rtida
     Himalaia, s&#237;laba sentida,
nasceu para ser &#250;ltima
     a que n&#227;o nasceu ainda.

     Palavras trazidas de longe
pelas &#225;guas do Nilo,
     um dia, esta pagina, papiro,
vai ter que ser traduzida,
     para o s&#237;mbolo, para o s&#226;nscrito,
para todos os dial&#233;tos da &#205;ndia,
     vai ter que dizer bom-dia
ao que s&#243; se diz ao p&#233; do ouvido,
     vai ter que ser a brusca pedra
onde algu&#233;m deixou cair o vidro.
     N&#227;o e assim que &#233; a vida?

poema: paulo leminski
voz: wilton cardoso</description>
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      <pubDate>Mon, 16 Oct 2006 19:41:25 GMT</pubDate>
      <dcterms:modified>2008-06-09</dcterms:modified>
      <dcterms:created>2006-10-16</dcterms:created>
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      <dc:creator>wilton cardoso</dc:creator>
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n&#227;o nasceu para ser lida.
     Nasceu para ser p&#225;lida,
um mero pl&#225;gio da Il&#237;ada,
     alguma coisa que cala,
folha que volta pro galho,
     muito depois de ca&#237;da.

     Nasceu para ser praia,
quem sabe Andr&#244;meda, Ant&#225;rtida
     Himalaia, s&#237;laba sentida,
nasceu para ser &#250;ltima
     a que n&#227;o nasceu ainda.

     Palavras trazidas de longe
pelas &#225;guas do Nilo,
     um dia, esta pagina, papiro,
vai ter que ser traduzida,
     para o s&#237;mbolo, para o s&#226;nscrito,
para todos os dial&#233;tos da &#205;ndia,
     vai ter que dizer bom-dia
ao que s&#243; se diz ao p&#233; do ouvido,
     vai ter que ser a brusca pedra
onde algu&#233;m deixou cair o vidro.
     N&#227;o e assim que &#233; a vida?

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    <item>
      <title>novo microfone</title>
      <description>&amp;nbsp;</description>
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      <pubDate>Mon, 16 Oct 2006 19:36:36 GMT</pubDate>
      <dcterms:modified>2008-06-09</dcterms:modified>
      <dcterms:created>2006-10-16</dcterms:created>
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      <dc:creator>wilton cardoso</dc:creator>
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    </item>
    <item>
      <title>tr&#234;s fragmentos de uma casa decomposta</title>
      <description>o rosto negro magro de bonfim 
entrecortado por profundas rugas
reflete o semblante sombrio da aurora
mas de quando em vez que se abre
em generoso e largo e profundo riso
bril   no manto breu da madrugada
madrigal de pontos prata enluarada
resplendendo meia luz de olhos meios
entreabert&#8217;em meio &#224; f&#233; a meia vela
em meio ao vale tens raz&#227;o
em meio &#224; rua geom&#233;trica h&#225; aromas
sem sentidos   nesta bruma negra da noite

um raio de luz de sol fim de tarde
um jorro de palidez no lodo verde do corredor
tr&#225;s da sala brotam plantas por entre fendas
de cimento enegrecido pelo tempo da casa
um halo de sol penetra o corredor contido
luz vermelha reluz em tijolos vermelhos e exala
o muro a rubrez que s&#243; ousa sair fim de tarde
uma pequena flor delica deitada em minuciosos talos verdes
paralelos &#224; parede at&#233; a janela vislumbram os olhos
um brilho verde claro e de branco em brancas p&#233;talas
e um  peda&#231;o de raio invade a sala obliquamente
e resplenda em alvo tingindo o amarelo de sol fim de tarde
uma alegria esmaecida um frescor de um dia vivido
cor palha e dispersa e difusa ilumina
olhos castanhos espelhos da tarde findoura

a m&#250;sica cai do negro disco impermanente
ao negror do ser imperme&#225;vel
e penetra o negro v&#233;u permanente
em luto pela vida n&#227;o nascida dentro do ente
e traz alguma cor ao frio cinza recorrente
que se volta num estalo &#224; alma doente
crente estar oculta do ru&#237;do externo em eterno c&#233;u 
seu, a m&#250;sica cai e o sil&#234;ncio noturno da noite, v&#233;u
muito mais que qualquer luto
contra o c&#233;u eterneceu e sopra o vulto
incolor que permanece
na imperman&#234;ncia que se esquece 

poema e voz: wilton cardoso</description>
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      <pubDate>Mon, 09 Oct 2006 15:55:22 GMT</pubDate>
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      <itunes:summary>o rosto negro magro de bonfim 
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bril   no manto breu da madrugada
madrigal de pontos prata enluarada
resplendendo meia luz de olhos meios
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em meio ao vale tens raz&#227;o
em meio &#224; rua geom&#233;trica h&#225; aromas
sem sentidos   nesta bruma negra da noite

um raio de luz de sol fim de tarde
um jorro de palidez no lodo verde do corredor
tr&#225;s da sala brotam plantas por entre fendas
de cimento enegrecido pelo tempo da casa
um halo de sol penetra o corredor contido
luz vermelha reluz em tijolos vermelhos e exala
o muro a rubrez que s&#243; ousa sair fim de tarde
uma pequena flor delica deitada em minuciosos talos verdes
paralelos &#224; parede at&#233; a janela vislumbram os olhos
um brilho verde claro e de branco em brancas p&#233;talas
e um  peda&#231;o de raio invade a sala obliquamente
e resplenda em alvo tingindo o amarelo de sol fim de tarde
uma alegria esmaecida um frescor de um dia vivido
cor palha e dispersa e difusa ilumina
olhos castanhos espelhos da tarde findoura

a m&#250;sica cai do negro disco impermanente
ao negror do ser imperme&#225;vel
e penetra o negro v&#233;u permanente
em luto pela vida n&#227;o nascida dentro do ente
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crente estar oculta do ru&#237;do externo em eterno c&#233;u 
seu, a m&#250;sica cai e o sil&#234;ncio noturno da noite, v&#233;u
muito mais que qualquer luto
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incolor que permanece
na imperman&#234;ncia que se esquece 

poema e voz: wilton cardoso</itunes:summary>
    </item>
    <item>
      <title>&amp;quot;O poema soando...&amp;quot;</title>
      <description>O poema soando pelos poros do sil&#234;ncio da p&#225;gina &#233; o desejo de som em ato, pot&#234;ncia sonora. O que faz a riqueza vocal do poema s&#227;o as mir&#237;ades de possibilidades sonoras que ele dispara de seu sil&#234;ncio cong&#234;nito. O poema provoca a quest&#227;o: o que poderia ser o texto enquanto voz, enquanto vozes, enquanto f&#225;brica de fala musicada? Eis seu infinito dilema com o sil&#234;ncio. &#201; nesta quest&#227;o, &#233; no permanente adiamento de sua resposta que fervilha a vida fon&#233;tica da escrita po&#233;tica. E cada vez que se declama um poema &#233; como se muitas outras possibilidades sonoras se fechassem (muitas vozes se calassem). No poema a m&#250;sica da fala n&#227;o existe na a&#231;&#227;o de falar, mas no ato de calar, deixando o texto cantar na mente, no corpo silente do leitor. Iaras de mil &#225;rias de sil&#234;ncio me encantam: cio do som.

texto e voz: wilton cardoso</description>
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      <pubDate>Mon, 09 Oct 2006 13:45:15 GMT</pubDate>
      <dcterms:modified>2008-06-09</dcterms:modified>
      <dcterms:created>2006-10-09</dcterms:created>
      <link>http://ruidosvocais.podOmatic.com</link>
      <dc:creator>wilton cardoso</dc:creator>
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    </item>
    <item>
      <title>ais ou menos (2 vers&#245;es)</title>
      <description>&lt;img src="http://ruidosvocais.podOmatic.com/mymedia/thumb/36437/0x0_660291.jpg" alt="itunes pic" /&gt;&lt;br /&gt;poema: paulo leminski
voz: wilton cardoso</description>
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      <pubDate>Fri, 06 Oct 2006 20:16:37 GMT</pubDate>
      <dcterms:modified>2008-06-09</dcterms:modified>
      <dcterms:created>2006-10-06</dcterms:created>
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      <dc:creator>wilton cardoso</dc:creator>
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      <itunes:summary>poema: paulo leminski
voz: wilton cardoso</itunes:summary>
    </item>
    <item>
      <title>Sat&#233;lite</title>
      <description>Fim de tarde.
No c&#233;u pl&#250;mbeo
A Lua ba&#231;a
Paira
Muito cosmograficamente
Sat&#233;lite.

Desmetaforizada,
Desmitificada,
Despojada do velho segredo de melancolia,
N&#227;o &#233; agora o golf&#227;o de cismas,
O astro dos loucos e dos enamorados.
Mas t&#227;o-somente
Sat&#233;lite.

Ah Lua deste fim de tarde,
Demission&#225;ria de atribui&#231;&#245;es rom&#226;nticas,
Sem show para as disponibilidades sentimentais!

Fatigado de mais-valia,
Gosto de ti assim:
Coisa em si,
- Sat&#233;lite.

poema: manuel bandeira
voz: wilton cardoso</description>
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      <pubDate>Mon, 02 Oct 2006 16:19:46 GMT</pubDate>
      <dcterms:modified>2008-06-09</dcterms:modified>
      <dcterms:created>2006-10-02</dcterms:created>
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      <dc:creator>wilton cardoso</dc:creator>
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No c&#233;u pl&#250;mbeo
A Lua ba&#231;a
Paira
Muito cosmograficamente
Sat&#233;lite.

Desmetaforizada,
Desmitificada,
Despojada do velho segredo de melancolia,
N&#227;o &#233; agora o golf&#227;o de cismas,
O astro dos loucos e dos enamorados.
Mas t&#227;o-somente
Sat&#233;lite.

Ah Lua deste fim de tarde,
Demission&#225;ria de atribui&#231;&#245;es rom&#226;nticas,
Sem show para as disponibilidades sentimentais!

Fatigado de mais-valia,
Gosto de ti assim:
Coisa em si,
- Sat&#233;lite.

poema: manuel bandeira
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    </item>
    <item>
      <title>Plenil&#250;nio</title>
      <description>Al&#233;m nos ares, tremulamente, 
Que vis&#227;o branca das nuvens sai! 
Luz entre as fran&#231;as, fria e silente; 
Assim nos ares, tremulamente, 
Bal&#227;o aceso subindo vai... 

H&#225; tantos olhos nela arroubados, 
No magnetismo do seu fulgor! 
Lua dos tristes e enamorados, 
Golf&#227;o de cismas fascinador! 

Astro dos loucos, sol da dem&#234;ncia, 
Vaga, noct&#226;mbula apari&#231;&#227;o! 
Quantos, bebendo-te a refulg&#234;ncia, 
Quantos por isso, sol da dem&#234;ncia, 
Lua dos loucos, loucos est&#227;o! 

Quantos &#224; noite, de alva sereia 
O falaz canto na febre a ouvir, 
No arg&#234;nteo fluxo da lua cheia, 
Alucinados se deixam ir... 

Tamb&#233;m outrora, num mar de lua, 
Voguei na esteira de um louco ideal; 
Exposta aos euros a fronte nua, 
Dei-me ao relento, num mar de lua, 
Banhos de lua que fazem mal. 

Ah! quantas vezes, absorto nela, 
Por horas mortas postar-me vim 
Cogitabundo, triste, &#224; janela, 
Tardas vig&#237;lias passando assim! 

E assim, fitando-a noites inteiras, 
Seu disco arg&#234;nteo n'alma imprimi; 
Olhos pisados, fundas olheiras, 
Passei fitando-a noites inteiras, 
Fitei-a tanto que enlouqueci! 

Tantos serenos t&#227;o doentios, 
Friagens tantas padeci eu; 
Chuva de raios de prata frios 
A fronte em brasa me arrefeceu! 

Lun&#225;rias flores, ao feral lume, 
-Ca&#231;oilas de &#243;pio, de embriaguez- 
Evaporavam letal perfume... 
E os len&#231;&#243;is d'&#225;gua, do feral lume 
Se amortalhavam na lividez... 

F&#250;lgida n&#233;voa vem-me ofuscante 
De um pesadelo de luz encher, 
E a tudo em roda, desde esse instante, 
Da cor da lua come&#231;o a ver. 

E erguem por vias enluaradas 
Minhas sand&#225;lias chispas a flux... 
H&#225; p&#243; de estrelas pelas estradas... 
E por estradas enluaradas 
Eu sigo &#224;s tontas, cego de luz... 

Um luar amplo me inunda, e eu ando 
Em vision&#225;ria luz a nadar. 
Por toda parte louco arrastando 
O largo manto do meu luar... 

poema: raimundo correia
voz: wilton cardoso</description>
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      <pubDate>Mon, 02 Oct 2006 16:17:25 GMT</pubDate>
      <dcterms:modified>2008-06-17</dcterms:modified>
      <dcterms:created>2006-10-02</dcterms:created>
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      <dc:creator>wilton cardoso</dc:creator>
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      <itunes:summary>Al&#233;m nos ares, tremulamente, 
Que vis&#227;o branca das nuvens sai! 
Luz entre as fran&#231;as, fria e silente; 
Assim nos ares, tremulamente, 
Bal&#227;o aceso subindo vai... 

H&#225; tantos olhos nela arroubados, 
No magnetismo do seu fulgor! 
Lua dos tristes e enamorados, 
Golf&#227;o de cismas fascinador! 

Astro dos loucos, sol da dem&#234;ncia, 
Vaga, noct&#226;mbula apari&#231;&#227;o! 
Quantos, bebendo-te a refulg&#234;ncia, 
Quantos por isso, sol da dem&#234;ncia, 
Lua dos loucos, loucos est&#227;o! 

Quantos &#224; noite, de alva sereia 
O falaz canto na febre a ouvir, 
No arg&#234;nteo fluxo da lua cheia, 
Alucinados se deixam ir... 

Tamb&#233;m outrora, num mar de lua, 
Voguei na esteira de um louco ideal; 
Exposta aos euros a fronte nua, 
Dei-me ao relento, num mar de lua, 
Banhos de lua que fazem mal. 

Ah! quantas vezes, absorto nela, 
Por horas mortas postar-me vim 
Cogitabundo, triste, &#224; janela, 
Tardas vig&#237;lias passando assim! 

E assim, fitando-a noites inteiras, 
Seu disco arg&#234;nteo n'alma imprimi; 
Olhos pisados, fundas olheiras, 
Passei fitando-a noites inteiras, 
Fitei-a tanto que enlouqueci! 

Tantos serenos t&#227;o doentios, 
Friagens tantas padeci eu; 
Chuva de raios de prata frios 
A fronte em brasa me arrefeceu! 

Lun&#225;rias flores, ao feral lume, 
-Ca&#231;oilas de &#243;pio, de embriaguez- 
Evaporavam letal perfume... 
E os len&#231;&#243;is d'&#225;gua, do feral lume 
Se amortalhavam na lividez... 

F&#250;lgida n&#233;voa vem-me ofuscante 
De um pesadelo de luz encher, 
E a tudo em roda, desde esse instante, 
Da cor da lua come&#231;o a ver. 

E erguem por vias enluaradas 
Minhas sand&#225;lias chispas a flux... 
H&#225; p&#243; de estrelas pelas estradas... 
E por estradas enluaradas 
Eu sigo &#224;s tontas, cego de luz... 

Um luar amplo me inunda, e eu ando 
Em vision&#225;ria luz a nadar. 
Por toda parte louco arrastando 
O largo manto do meu luar... 

poema: raimundo correia
voz: wilton cardoso</itunes:summary>
    </item>
    <item>
      <title>&amp;quot;faz a coisa sem cuidado&amp;quot; (2 vers&#245;es)</title>
      <description>faz a coisa sem cuidado
sem ritmos nem ecos
nenhuma melodia ou sutileza sem um sol
brilhando ao meio dia
o poema pinga &#224; meia noite
pro exu da encruzilhada
o poema reza ao judas
ora se esparrama ora
se contrai
feito a praga a gripe a m&#225;goa
feito o riso da putaiada
o risco desta tela
feito um cu
o poema feito &#224; boca de velha &#237;ndia sem dentes s&#243; gengiva
beijando na sua l&#237;ngua
um cauim daquele amargo
de amar a margem larga
das bucetas desta terra
de bytes e de asfalto
de cifras e assepsias
e putas e fadas e business men e mist&#233;rios e mutretas e padres e pastores e consultores e crentes e doutores e contentes descontentes e engenheiros e analistas financeiros pilantreiros psicolojistas e jornalistas e soldados e eleitos picaretas pagodeiros professores farofeiros e puteiros e donas de casa e tecnocratas e democratas e maconheiros e 

poema: franco &#225;tila (exu de wilton cardoso)

vozes: wilton cardoso (1a. vers&#227;o) e franco &#225;tila (2a. vers&#227;o)</description>
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      <pubDate>Mon, 02 Oct 2006 16:12:14 GMT</pubDate>
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      <itunes:summary>faz a coisa sem cuidado
sem ritmos nem ecos
nenhuma melodia ou sutileza sem um sol
brilhando ao meio dia
o poema pinga &#224; meia noite
pro exu da encruzilhada
o poema reza ao judas
ora se esparrama ora
se contrai
feito a praga a gripe a m&#225;goa
feito o riso da putaiada
o risco desta tela
feito um cu
o poema feito &#224; boca de velha &#237;ndia sem dentes s&#243; gengiva
beijando na sua l&#237;ngua
um cauim daquele amargo
de amar a margem larga
das bucetas desta terra
de bytes e de asfalto
de cifras e assepsias
e putas e fadas e business men e mist&#233;rios e mutretas e padres e pastores e consultores e crentes e doutores e contentes descontentes e engenheiros e analistas financeiros pilantreiros psicolojistas e jornalistas e soldados e eleitos picaretas pagodeiros professores farofeiros e puteiros e donas de casa e tecnocratas e democratas e maconheiros e 

poema: franco &#225;tila (exu de wilton cardoso)

vozes: wilton cardoso (1a. vers&#227;o) e franco &#225;tila (2a. vers&#227;o)</itunes:summary>
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    <item>
      <title>o grau podre da declama&#231;&#227;o</title>
      <description>Eu quis o grau zero da declama&#231;&#227;o. Que a voz fosse a transpar&#234;ncia atravessada pelo ritmo infinito do poema. (Despertar o poema de seu sil&#234;ncio cong&#234;nito)

N&#227;o foi poss&#237;vel. Pude apenas degradar a voz, o grau podre da declama&#231;&#227;o.

texto e voz: wilton cardoso</description>
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      <pubDate>Mon, 02 Oct 2006 16:00:58 GMT</pubDate>
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N&#227;o foi poss&#237;vel. Pude apenas degradar a voz, o grau podre da declama&#231;&#227;o.

texto e voz: wilton cardoso</itunes:summary>
    </item>
    <item>
      <title>Entre o ser e as coisas (3 vers&#245;es)</title>
      <description>Onda e amor, onde amor, ando indagando
ao largo vento e &#224; rocha imperativa,
e a tudo me arremesso, nesse quando
amanhece frescor de coisa viva.

As almas, n&#227;o, as almas v&#227;o pairando,
e, esquecendo a li&#231;&#227;o que j&#225; se esquiva,
tornam amor humor, e vago e brando
o que &#233; de natureza corrosiva.

N&#180;&#225;gua e na pedra amor deixa gravados
seus hier&#243;glifos e mensagens, suas
verdades mais secretas e mais nuas.

E nem os elementos encantados
sabem do amor que os punge e que &#233;, pungido,
uma fogueira a arder no dia findo.

Poema: Carlos Drummond de Andrade
Voz: Wilton Cardoso</description>
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      <pubDate>Wed, 27 Sep 2006 16:42:50 GMT</pubDate>
      <dcterms:modified>2008-06-09</dcterms:modified>
      <dcterms:created>2006-09-27</dcterms:created>
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      <itunes:summary>Onda e amor, onde amor, ando indagando
ao largo vento e &#224; rocha imperativa,
e a tudo me arremesso, nesse quando
amanhece frescor de coisa viva.

As almas, n&#227;o, as almas v&#227;o pairando,
e, esquecendo a li&#231;&#227;o que j&#225; se esquiva,
tornam amor humor, e vago e brando
o que &#233; de natureza corrosiva.

N&#180;&#225;gua e na pedra amor deixa gravados
seus hier&#243;glifos e mensagens, suas
verdades mais secretas e mais nuas.

E nem os elementos encantados
sabem do amor que os punge e que &#233;, pungido,
uma fogueira a arder no dia findo.

Poema: Carlos Drummond de Andrade
Voz: Wilton Cardoso</itunes:summary>
    </item>
    <item>
      <title>2 poemas de Fernando Pessoa</title>
      <description>DEPOIS DA FEIRA

V&#227;o vagos pela estrada, 
Cantando sem raz&#227;o 
A &#250;tima esp'ran&#231;a dada 
&#192; &#250;ltima ilus&#227;o. 
N&#227;o significam nada. 
Mimos e bobos s&#227;o. 

V&#227;o juntos e diversos 
Sob um luar de ver, 
Em que sonhos imersos 
Nem saber&#227;o dizer, 
E cantam aqueles versos 
Que lembram sem querer. 

Pajens de um morto mito, 
T&#227;o l&#237;ricos!, t&#227;o s&#243;s!, 
N&#227;o t&#234;m na voz um grito, 
Mal t&#234;m a pr&#243;pria voz; 
E ignora-os o infinito 
Que nos ignora a n&#243;s. 


"A MORTE &#201; A CURVA DA ESTRADA"

A morte &#233; a curva da estrada,
Morrer &#233; s&#243; n&#227;o ser visto.
Se escuto, eu te oi&#231;o a passada
existir como eu existo.

A terra &#233; feita de c&#233;u.
A mentira n&#227;o tem ninho.
Nunca ningu&#233;m se perdeu.
Tudo &#233; verdade e caminho.

poemas: fernando pessoa
voz: wilton cardoso</description>
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      <pubDate>Wed, 27 Sep 2006 13:38:58 GMT</pubDate>
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      <itunes:summary>DEPOIS DA FEIRA

V&#227;o vagos pela estrada, 
Cantando sem raz&#227;o 
A &#250;tima esp'ran&#231;a dada 
&#192; &#250;ltima ilus&#227;o. 
N&#227;o significam nada. 
Mimos e bobos s&#227;o. 

V&#227;o juntos e diversos 
Sob um luar de ver, 
Em que sonhos imersos 
Nem saber&#227;o dizer, 
E cantam aqueles versos 
Que lembram sem querer. 

Pajens de um morto mito, 
T&#227;o l&#237;ricos!, t&#227;o s&#243;s!, 
N&#227;o t&#234;m na voz um grito, 
Mal t&#234;m a pr&#243;pria voz; 
E ignora-os o infinito 
Que nos ignora a n&#243;s. 


"A MORTE &#201; A CURVA DA ESTRADA"

A morte &#233; a curva da estrada,
Morrer &#233; s&#243; n&#227;o ser visto.
Se escuto, eu te oi&#231;o a passada
existir como eu existo.

A terra &#233; feita de c&#233;u.
A mentira n&#227;o tem ninho.
Nunca ningu&#233;m se perdeu.
Tudo &#233; verdade e caminho.

poemas: fernando pessoa
voz: wilton cardoso</itunes:summary>
    </item>
    <item>
      <title>Dados emp&#237;ricos para um diagn&#243;stico diferencial da psicose</title>
      <description>E h&#225; tamb&#233;m o sil&#234;ncio dos loucos, que n&#227;o se op&#245;e, sim&#233;trica ou assimetricamente, a qualquer palavra, ou a qualquer outro sil&#234;ncio. A loucura &#233; um inferno, com toda a sistematiza&#231;&#227;o pr&#243;pria aos infernos. &#201; evidente que o vento que circula por dentro dos peixes tamb&#233;m &#233; invis&#237;vel aos loucos &#8212; os loucos n&#227;o sofrem de nenhuma perturba&#231;&#227;o &#243;ptica t&#227;o particular. E &#233; evidente que as nervuras que enovelam as plan&#237;cies e as engrenagens de algum f&#243;ssil da linguagem podem ser captadas por um louco, pois que os loucos, al&#233;m de acuidade visual, se alimentam normalmente, e n&#227;o desperdi&#231;am o f&#243;ssil, ainda que prefiram o f&#237;ssil. Um louco encontra-se procurado, sem cessar. &#201; quase uma conseq&#252;&#234;ncia l&#243;gica, pois, que um louco procure modos originais de morrer, dispensando os servi&#231;os do Deus 
( n&#227;o &#233; por outra raz&#227;o que s&#227;o chamados, os loucos, muita vez, de megaloman&#237;acos).

poema: wesley peres
voz: wilton cardoso</description>
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      <pubDate>Sat, 23 Sep 2006 15:38:03 GMT</pubDate>
      <dcterms:modified>2008-06-09</dcterms:modified>
      <dcterms:created>2006-09-23</dcterms:created>
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      <dc:creator>wilton cardoso</dc:creator>
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( n&#227;o &#233; por outra raz&#227;o que s&#227;o chamados, os loucos, muita vez, de megaloman&#237;acos).

poema: wesley peres
voz: wilton cardoso</itunes:summary>
    </item>
    <item>
      <title>agora (2 vers&#245;es)</title>
      <description>agora
para viver um pouco
de lucidez
&#233; preciso ser louco
porque a loucura est&#225; al&#233;m
do desespero e aqu&#233;m da calma

com suas proto-almas
as vozes loucas n&#227;o brotam
de nenhuma boca
e n&#227;o v&#227;o
para qualquer ouvido
s&#227;o em v&#227;o      olvidas
brotam
no v&#227;o das vozes

por isto a voz do louco
como um curso cont&#237;nuo
e quebradi&#231;o      erra
por entre as guerras 
movedi&#231;as   e acerta
o alvo que alma alguma
(com seus c&#233;us e infernos bem medidos)
p&#244;de

no agora do agora
a voz do louco nos explora
campos de aqu&#233;ns e al&#233;ns que se enrolam
e desenrolam-se alheios
a qualquer fio de meada

"S&#243; h&#225; fluxos: sem fontes, sem fins...
E todo fluxo fecundo &#233; um el&#227; de loucura."
                                  (fraco &#225;tila) 

poema e voz: wilton cardoso</description>
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      <pubDate>Fri, 22 Sep 2006 20:02:40 GMT</pubDate>
      <dcterms:modified>2008-06-09</dcterms:modified>
      <dcterms:created>2006-09-22</dcterms:created>
      <link>http://ruidosvocais.podOmatic.com</link>
      <dc:creator>wilton cardoso</dc:creator>
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para viver um pouco
de lucidez
&#233; preciso ser louco
porque a loucura est&#225; al&#233;m
do desespero e aqu&#233;m da calma

com suas proto-almas
as vozes loucas n&#227;o brotam
de nenhuma boca
e n&#227;o v&#227;o
para qualquer ouvido
s&#227;o em v&#227;o      olvidas
brotam
no v&#227;o das vozes

por isto a voz do louco
como um curso cont&#237;nuo
e quebradi&#231;o      erra
por entre as guerras 
movedi&#231;as   e acerta
o alvo que alma alguma
(com seus c&#233;us e infernos bem medidos)
p&#244;de

no agora do agora
a voz do louco nos explora
campos de aqu&#233;ns e al&#233;ns que se enrolam
e desenrolam-se alheios
a qualquer fio de meada

"S&#243; h&#225; fluxos: sem fontes, sem fins...
E todo fluxo fecundo &#233; um el&#227; de loucura."
                                  (fraco &#225;tila) 

poema e voz: wilton cardoso</itunes:summary>
    </item>
    <item>
      <title>Tempo perdido</title>
      <description>Todos os dias quando acordo, 
N&#227;o tenho mais o tempo que passou 
Mas tenho muito tempo 
Temos todo o tempo do mundo. 

Todos os dias antes de dormir, 
Lembro e esque&#231;o como foi o dia: 
"Sempre em frente, 
N&#227;o temos tempo a perder." 

Nosso suor sagrado 
&#201; bem mais belo que esse sangue amargo 
E t&#227;o s&#233;rio 
E selvagem. 

Veja o sol dessa manha t&#227;o cinza: 
A tempestade que chega &#233; da cor dos teus olhos castanhos. 
Ent&#227;o me abra&#231;a forte e me diz mais uma vez 
Que j&#225; estamos distantes de tudo: 

Temos nosso pr&#243;prio tempo. 

N&#227;o tenho medo do escuro, mas deixe as luzes acesas agora. 
O que foi escondido &#233; o que se escondeu 
E o que foi prometido, ningu&#233;m prometeu. 
Nem foi tempo perdido. 

Somos t&#227;o jovens. 

letra: renato russo
voz: wilton cardoso</description>
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      <pubDate>Wed, 20 Sep 2006 18:46:22 GMT</pubDate>
      <dcterms:modified>2008-06-09</dcterms:modified>
      <dcterms:created>2006-09-20</dcterms:created>
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      <dc:creator>wilton cardoso</dc:creator>
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      <itunes:summary>Todos os dias quando acordo, 
N&#227;o tenho mais o tempo que passou 
Mas tenho muito tempo 
Temos todo o tempo do mundo. 

Todos os dias antes de dormir, 
Lembro e esque&#231;o como foi o dia: 
"Sempre em frente, 
N&#227;o temos tempo a perder." 

Nosso suor sagrado 
&#201; bem mais belo que esse sangue amargo 
E t&#227;o s&#233;rio 
E selvagem. 

Veja o sol dessa manha t&#227;o cinza: 
A tempestade que chega &#233; da cor dos teus olhos castanhos. 
Ent&#227;o me abra&#231;a forte e me diz mais uma vez 
Que j&#225; estamos distantes de tudo: 

Temos nosso pr&#243;prio tempo. 

N&#227;o tenho medo do escuro, mas deixe as luzes acesas agora. 
O que foi escondido &#233; o que se escondeu 
E o que foi prometido, ningu&#233;m prometeu. 
Nem foi tempo perdido. 

Somos t&#227;o jovens. 

letra: renato russo
voz: wilton cardoso</itunes:summary>
    </item>
    <item>
      <title>The self</title>
      <description>aquele que n&#227;o posso ser est&#225; vivendo
n&#227;o sei o que ele quer na funda noite escura
daquele quarto ao fundo que sequer eu entro
a casa agora estranha e a amada n&#227;o escuta
a voz daquele eu mudo que agora j&#225; n&#227;o ama

desenvolta ela passeia e se deita em sua cama
e o quarto n&#227;o clareia e mesmo assim enche de luz
este outro a possui enquanto a casa se revela
antiq&#252;&#237;ssima morada de deuses que conduz
aquele eu cego a viver &#224; luz de velas

ver sem velas ou sol imponder&#225;veis nuances dela
casa      sem piso oit&#227;o ou teto vizinha do infinito
um rociar de eternidade impregna os c&#244;modos disformes
foi tudo ti culpada amada a voltear por c&#244;modos famintos
de n&#227;o sei qu&#234; de al&#233;m amor a entristec&#234;-la enquanto dormes

co&#8217;este outro e sem meu toque nos perdoe
luz inconsciente a lumiar o mar profundo
em que mergulha aquele que se diz eu
na busca indefinida de um mapa    o mar inunda
c&#244;modos e casa e tudo b&#243;ia e se perdeu

do eu amar e amada    c&#244;modos e casa e aquele outro
ainda chora o que n&#227;o sinto e &#224;s vezes tem
(tenho certeza) amada em leito seu e amor um pouco
que (n&#225;ufrago) n&#227;o sei e luz &#233; assim, &#224;s vezes vem...

poema e voz: wilton cardoso
poema incidental: a casa (vin&#237;cius de morais)</description>
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      <pubDate>Wed, 20 Sep 2006 18:39:11 GMT</pubDate>
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a casa agora estranha e a amada n&#227;o escuta
a voz daquele eu mudo que agora j&#225; n&#227;o ama

desenvolta ela passeia e se deita em sua cama
e o quarto n&#227;o clareia e mesmo assim enche de luz
este outro a possui enquanto a casa se revela
antiq&#252;&#237;ssima morada de deuses que conduz
aquele eu cego a viver &#224; luz de velas

ver sem velas ou sol imponder&#225;veis nuances dela
casa      sem piso oit&#227;o ou teto vizinha do infinito
um rociar de eternidade impregna os c&#244;modos disformes
foi tudo ti culpada amada a voltear por c&#244;modos famintos
de n&#227;o sei qu&#234; de al&#233;m amor a entristec&#234;-la enquanto dormes

co&#8217;este outro e sem meu toque nos perdoe
luz inconsciente a lumiar o mar profundo
em que mergulha aquele que se diz eu
na busca indefinida de um mapa    o mar inunda
c&#244;modos e casa e tudo b&#243;ia e se perdeu

do eu amar e amada    c&#244;modos e casa e aquele outro
ainda chora o que n&#227;o sinto e &#224;s vezes tem
(tenho certeza) amada em leito seu e amor um pouco
que (n&#225;ufrago) n&#227;o sei e luz &#233; assim, &#224;s vezes vem...

poema e voz: wilton cardoso
poema incidental: a casa (vin&#237;cius de morais)</itunes:summary>
    </item>
    <item>
      <title>Rapto</title>
      <description>Se uma &#225;guia fende os ares e arrebata
esse que &#233; uma forma pura e que &#233; suspiro
de terrenas del&#237;cias combinadas;
e se essa forma pura, degradando-se,
mais perfeita se eleva, pois atinge
a tortura do embate, no arremate
de uma exaust&#227;o suav&#237;ssima, tributo
com que se paga o v&#244;o mais cortante;
se, por amor de uma ave, ei-la recusa
o pasto natural aberto aos homens,
e pela via herm&#233;tica e defesa
vai demandando o c&#226;ndido alimento
que a alma faminta implora at&#233; o extremo;
se esses raptos terr&#237;veis se repetem
j&#225; nos campos e j&#225; pelas noturnas
portas de p&#233;rola d&#250;bia das boates;
e se h&#225; no beijo est&#233;ril um solu&#231;o
esquivo e refolhado, cinza em n&#250;pcias,
e tudo &#233; triste sob o c&#233;u flamante
(que o pecado crist&#227;o, ora jungido
ao mist&#233;rio pag&#227;o, mais o alanceia),
baixemos nossos olhos ao des&#237;gnio
da natureza amb&#237;gua e reticente:
ela tece, dobrando-lhe o amargor,
outra forma de amar no acerbo amor.

poema: carlos drummond de andrade
voz: wilton cardoso</description>
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      <pubDate>Sat, 16 Sep 2006 18:13:54 GMT</pubDate>
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esse que &#233; uma forma pura e que &#233; suspiro
de terrenas del&#237;cias combinadas;
e se essa forma pura, degradando-se,
mais perfeita se eleva, pois atinge
a tortura do embate, no arremate
de uma exaust&#227;o suav&#237;ssima, tributo
com que se paga o v&#244;o mais cortante;
se, por amor de uma ave, ei-la recusa
o pasto natural aberto aos homens,
e pela via herm&#233;tica e defesa
vai demandando o c&#226;ndido alimento
que a alma faminta implora at&#233; o extremo;
se esses raptos terr&#237;veis se repetem
j&#225; nos campos e j&#225; pelas noturnas
portas de p&#233;rola d&#250;bia das boates;
e se h&#225; no beijo est&#233;ril um solu&#231;o
esquivo e refolhado, cinza em n&#250;pcias,
e tudo &#233; triste sob o c&#233;u flamante
(que o pecado crist&#227;o, ora jungido
ao mist&#233;rio pag&#227;o, mais o alanceia),
baixemos nossos olhos ao des&#237;gnio
da natureza amb&#237;gua e reticente:
ela tece, dobrando-lhe o amargor,
outra forma de amar no acerbo amor.

poema: carlos drummond de andrade
voz: wilton cardoso</itunes:summary>
    </item>
    <item>
      <title>quando dor tiveres</title>
      <description>Quando dor tiveres
ver&#225;s teu dom trobar
ter&#225;s enfim alegria
quando veres sem ver chegar
que &#233; fugaz
e a&#237; ver&#225;s
que para dor haver
h&#225; de doer.

N&#243;s que lutamos por p&#227;o
n&#227;o lapidamos mui bem
e a forma tosca fica
como se molda ao sonho a tua forma
                                                  amorfa
e ao toc&#225;-la
como ao b&#234;bado respondem os sentidos
                                                      sinto
engenheiro sem engenho a moldar-te
moldura geom&#233;trica em que te encaixe
pedra
mas desafias-me
e desatina-se a brilhar quando quiseres
como quiseres
pra onde queres
o que n&#227;o quis.

poema e voz: wilton cardoso</description>
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      <pubDate>Sat, 16 Sep 2006 17:21:27 GMT</pubDate>
      <dcterms:modified>2008-06-09</dcterms:modified>
      <dcterms:created>2006-09-16</dcterms:created>
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que &#233; fugaz
e a&#237; ver&#225;s
que para dor haver
h&#225; de doer.

N&#243;s que lutamos por p&#227;o
n&#227;o lapidamos mui bem
e a forma tosca fica
como se molda ao sonho a tua forma
                                                  amorfa
e ao toc&#225;-la
como ao b&#234;bado respondem os sentidos
                                                      sinto
engenheiro sem engenho a moldar-te
moldura geom&#233;trica em que te encaixe
pedra
mas desafias-me
e desatina-se a brilhar quando quiseres
como quiseres
pra onde queres
o que n&#227;o quis.

poema e voz: wilton cardoso</itunes:summary>
    </item>
    <item>
      <title>o papel do poeta...</title>
      <description>o papel do poeta &#233; algo mudando para algo mundano que algo
do mundo
que algo agouro
um mal agouro do mundo
e o papel do poeta
n&#227;o se encharca das tintas
n&#227;o &#233; mais amarelo que amarela com o tempo e torna
poroso e &#225;spero
que colorem as tintas
que v&#227;o se descolorindo num sem tom descolor
que s&#227;o todas as cores: branca
esbranqui&#231;adas
retornam por todos os poros e afloram 
tal qual primavera refloram
por todos os cantos colorem de todas as cores   reflorem
n&#227;o s&#227;o mais 
tintas  papeis e poetas
n&#227;o mais
cores e poros e algo
n&#227;o sei mais

poema e voz: wilton cardoso</description>
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      <pubDate>Sat, 16 Sep 2006 17:16:53 GMT</pubDate>
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que algo agouro
um mal agouro do mundo
e o papel do poeta
n&#227;o se encharca das tintas
n&#227;o &#233; mais amarelo que amarela com o tempo e torna
poroso e &#225;spero
que colorem as tintas
que v&#227;o se descolorindo num sem tom descolor
que s&#227;o todas as cores: branca
esbranqui&#231;adas
retornam por todos os poros e afloram 
tal qual primavera refloram
por todos os cantos colorem de todas as cores   reflorem
n&#227;o s&#227;o mais 
tintas  papeis e poetas
n&#227;o mais
cores e poros e algo
n&#227;o sei mais

poema e voz: wilton cardoso</itunes:summary>
    </item>
    <item>
      <title>Devaneios</title>
      <description>Josarr&#225; 
quem dera ter do mundo
o sil&#234;ncio que necessitas agora
em que sentes sede de contemplar
e o teu semblante 
destemido a pairar
mal recobres o que descobre ao bulir
em tais sonhos que tens teu olhar
teu olhar, teu pobre olhar 
josarr&#225;, mas
h&#225; um cheiro negro no ar
que colore teus sonhos meninos
e redescobre a cada olhar
nos teus cantos, lugares, teu lar
que enra&#237;za o alicerce da casa
e se espalha aos v&#227;os de teu ch&#227;o
teu piso, e sobes enfim  por teus m&#243;veis
alcan&#231;ando por fim  teu telhado
tuas vigas de cheiro ocreado
tuas teias de aranha que vem e que v&#227;o
n&#227;o em v&#227;o tua vida emaranha
tantos casos de casa encantada
pelo v&#227;o das paredes caminham
caminham tanto e n&#227;o chegam a lugar
que luares tu queres panhar 
josarr&#225;? n&#227;o te notas, n&#227;o queres notar
n&#227;o deves, n&#227;o podes voar
por teares tecidos de ar
n&#227;o deves negar tuas cores
teu manto, teus tantos encantos
de uma cor que de cores te enche
solta o pranto que queres chorar e diz
josarr&#225;, diz que o cheiro permeia o ar
que vem de t&#227;o longe e tanto tempo a jorrar
e des&#225;gua num rompante de dor
desnorteia o poente do sol que brotas 
agora em teu sonhar
tua solid&#227;o,  josarr&#225;
teu amar. 

poema e voz: wilton cardoso</description>
      <guid isPermaLink="true">http://ruidosvocais.podOmatic.com/entry/2006-09-14T09_02_19-07_00</guid>
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      <pubDate>Thu, 14 Sep 2006 16:02:19 GMT</pubDate>
      <dcterms:modified>2008-06-09</dcterms:modified>
      <dcterms:created>2006-09-14</dcterms:created>
      <link>http://ruidosvocais.podOmatic.com</link>
      <dc:creator>wilton cardoso</dc:creator>
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quem dera ter do mundo
o sil&#234;ncio que necessitas agora
em que sentes sede de contemplar
e o teu semblante 
destemido a pairar
mal recobres o que descobre ao bulir
em tais sonhos que tens teu olhar
teu olhar, teu pobre olhar 
josarr&#225;, mas
h&#225; um cheiro negro no ar
que colore teus sonhos meninos
e redescobre a cada olhar
nos teus cantos, lugares, teu lar
que enra&#237;za o alicerce da casa
e se espalha aos v&#227;os de teu ch&#227;o
teu piso, e sobes enfim  por teus m&#243;veis
alcan&#231;ando por fim  teu telhado
tuas vigas de cheiro ocreado
tuas teias de aranha que vem e que v&#227;o
n&#227;o em v&#227;o tua vida emaranha
tantos casos de casa encantada
pelo v&#227;o das paredes caminham
caminham tanto e n&#227;o chegam a lugar
que luares tu queres panhar 
josarr&#225;? n&#227;o te notas, n&#227;o queres notar
n&#227;o deves, n&#227;o podes voar
por teares tecidos de ar
n&#227;o deves negar tuas cores
teu manto, teus tantos encantos
de uma cor que de cores te enche
solta o pranto que queres chorar e diz
josarr&#225;, diz que o cheiro permeia o ar
que vem de t&#227;o longe e tanto tempo a jorrar
e des&#225;gua num rompante de dor
desnorteia o poente do sol que brotas 
agora em teu sonhar
tua solid&#227;o,  josarr&#225;
teu amar. 

poema e voz: wilton cardoso</itunes:summary>
    </item>
    <item>
      <title>Beijo</title>
      <description>&lt;img src="http://ruidosvocais.podOmatic.com/images/icons/icon_audio.png" alt="itunes pic" /&gt;&lt;br /&gt;A este peda&#231;o de p&#243;,
talvez por um sopro de acaso
no caos, foi dado um querer
infinito e um saber-se prec&#225;rio.

Te imprimo um beijo
turbilh&#227;o de desejos fora de mim,
donos de mim, quase desfeito 
rastro que te deixo
enquanto queimo,

vento do momento.

poema e voz: wilton cardoso</description>
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      <pubDate>Thu, 14 Sep 2006 15:32:40 GMT</pubDate>
      <dcterms:modified>2008-06-09</dcterms:modified>
      <dcterms:created>2006-09-14</dcterms:created>
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      <dc:creator>wilton cardoso</dc:creator>
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      <itunes:summary>A este peda&#231;o de p&#243;,
talvez por um sopro de acaso
no caos, foi dado um querer
infinito e um saber-se prec&#225;rio.

Te imprimo um beijo
turbilh&#227;o de desejos fora de mim,
donos de mim, quase desfeito 
rastro que te deixo
enquanto queimo,

vento do momento.

poema e voz: wilton cardoso</itunes:summary>
    </item>
    <item>
      <title>a cidade se oferece ao olhar</title>
      <description>a cidade se oferece ao olhar
que a fita   fixa   de um lugar
horizonte desdobrado na iman&#234;ncia
do espa&#231;o indiferente em que se movem
olho e paisagem
                              miragem
                                                sensa&#231;&#227;o
mirada de um ponto que se arrisca
e precipita-se na linha movedi&#231;a
do acaso     a perder de vista

olhar &#233; um jogo de azar

poema e voz: wilton cardoso</description>
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      <pubDate>Thu, 14 Sep 2006 15:30:41 GMT</pubDate>
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      <dc:creator>wilton cardoso</dc:creator>
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      <itunes:summary>a cidade se oferece ao olhar
que a fita   fixa   de um lugar
horizonte desdobrado na iman&#234;ncia
do espa&#231;o indiferente em que se movem
olho e paisagem
                              miragem
                                                sensa&#231;&#227;o
mirada de um ponto que se arrisca
e precipita-se na linha movedi&#231;a
do acaso     a perder de vista

olhar &#233; um jogo de azar

poema e voz: wilton cardoso</itunes:summary>
    </item>
    <item>
      <title>ja me matei faz muito tempo</title>
      <description>      j&#225; me matei faz muito tempo
me matei quando o tempo era escasso
      e o que havia entre o tempo e o espa&#231;o
era o de sempre
      nunca mesmo o sempre passo

      morrer faz bem &#224; vista e ao ba&#231;o
melhora o ritmo do pulso
      e clareia a alma

      morrer de vez em quando
&#233; a &#250;nica coisa que me acalma.

poema: paulo leminski
voz: wilton cardoso</description>
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      <pubDate>Wed, 06 Sep 2006 20:22:31 GMT</pubDate>
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      <dcterms:created>2006-09-06</dcterms:created>
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      <itunes:summary>      j&#225; me matei faz muito tempo
me matei quando o tempo era escasso
      e o que havia entre o tempo e o espa&#231;o
era o de sempre
      nunca mesmo o sempre passo

      morrer faz bem &#224; vista e ao ba&#231;o
melhora o ritmo do pulso
      e clareia a alma

      morrer de vez em quando
&#233; a &#250;nica coisa que me acalma.

poema: paulo leminski
voz: wilton cardoso</itunes:summary>
    </item>
    <item>
      <title>o eco &#233; a sombra sonora</title>
      <description>o eco &#233; a sombra sonora
daquela voz aurora
daquela voz outrora
daquela voz canora
que chora o her&#243;i morto
e celebra o mito vivo
renascido ao infinito

daquela voz agora
s&#243; sobra a sombra   o oco
do eco perdido da voz
no rio sem fonte e sem foz
de uma boca que se evola

poema e voz: wilton cardoso</description>
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      <pubDate>Tue, 05 Sep 2006 13:57:04 GMT</pubDate>
      <dcterms:modified>2008-06-09</dcterms:modified>
      <dcterms:created>2006-09-05</dcterms:created>
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      <itunes:summary>o eco &#233; a sombra sonora
daquela voz aurora
daquela voz outrora
daquela voz canora
que chora o her&#243;i morto
e celebra o mito vivo
renascido ao infinito

daquela voz agora
s&#243; sobra a sombra   o oco
do eco perdido da voz
no rio sem fonte e sem foz
de uma boca que se evola

poema e voz: wilton cardoso</itunes:summary>
    </item>
    <item>
      <title>Daniel na cova dos le&#245;es</title>
      <description>Aquele gosto amargo do teu corpo 
Ficou na minha boca por mais tempo: 
De amargo e ent&#227;o salgado ficou doce, 
Assim que o teu cheiro forte e lento 

Fez casa nos meus bra&#231;os e ainda leve 
E forte e cego e tenso fez saber 
Que ainda era muito e muito pouco. 

Fa&#231;o nosso o meu segredo mais sincero 
E desafio o instinto dissonante. 
A inseguran&#231;a n&#227;o me ataca quando erro 
E o teu momento passa a ser o meu instante. 

E o teu medo de ter medo de ter medo 
N&#227;o faz da minha for&#231;a confus&#227;o: 
Teu corpo &#233; meu espelho e em ti navego 
E sei que tua correnteza n&#227;o tem dire&#231;&#227;o. 

Mas, t&#227;o certo quanto o erro de ser barco 
A motor e insistir em usar os remos, 
&#201; o mal que a &#225;gua faz quando se afoga 
E o salva-vidas n&#227;o esta l&#225; porque n&#227;o vemos. 

letra: renato russo
voz: wilton cardoso</description>
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      <pubDate>Mon, 04 Sep 2006 20:45:32 GMT</pubDate>
      <dcterms:modified>2008-06-09</dcterms:modified>
      <dcterms:created>2006-09-04</dcterms:created>
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      <itunes:summary>Aquele gosto amargo do teu corpo 
Ficou na minha boca por mais tempo: 
De amargo e ent&#227;o salgado ficou doce, 
Assim que o teu cheiro forte e lento 

Fez casa nos meus bra&#231;os e ainda leve 
E forte e cego e tenso fez saber 
Que ainda era muito e muito pouco. 

Fa&#231;o nosso o meu segredo mais sincero 
E desafio o instinto dissonante. 
A inseguran&#231;a n&#227;o me ataca quando erro 
E o teu momento passa a ser o meu instante. 

E o teu medo de ter medo de ter medo 
N&#227;o faz da minha for&#231;a confus&#227;o: 
Teu corpo &#233; meu espelho e em ti navego 
E sei que tua correnteza n&#227;o tem dire&#231;&#227;o. 

Mas, t&#227;o certo quanto o erro de ser barco 
A motor e insistir em usar os remos, 
&#201; o mal que a &#225;gua faz quando se afoga 
E o salva-vidas n&#227;o esta l&#225; porque n&#227;o vemos. 

letra: renato russo
voz: wilton cardoso</itunes:summary>
    </item>
    <item>
      <title>n&#227;o declame poemas</title>
      <description>&lt;img src="http://ruidosvocais.podOmatic.com/mymedia/thumb/36437/0x0_660293.jpg" alt="itunes pic" /&gt;&lt;br /&gt;poema e voz(?): wilton cardoso</description>
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      <pubDate>Fri, 01 Sep 2006 20:23:41 GMT</pubDate>
      <dcterms:modified>2008-06-09</dcterms:modified>
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      <dc:creator>wilton cardoso</dc:creator>
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      <itunes:summary>poema e voz(?): wilton cardoso</itunes:summary>
    </item>
    <item>
      <title>tarde fria de maio</title>
      <description>tarde fria de maio
por t&#227;o rara fria tarde
quero que tardes
nas minhas tardes

quero te sentir debalde
a luz sem alarde
o calor  n&#227;o arde
repertir-te o nome
namorar-te tarde  bem tarde
quando a vida &#233; fardo
quando tudo &#233; tarde
eu te quero brisa
               breve tarde

poema e voz: wilton cardoso
poema incidental: tarde de maio (drummond)</description>
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      <pubDate>Fri, 01 Sep 2006 16:59:43 GMT</pubDate>
      <dcterms:modified>2008-06-09</dcterms:modified>
      <dcterms:created>2006-09-01</dcterms:created>
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      <dc:creator>wilton cardoso</dc:creator>
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      <itunes:summary>tarde fria de maio
por t&#227;o rara fria tarde
quero que tardes
nas minhas tardes

quero te sentir debalde
a luz sem alarde
o calor  n&#227;o arde
repertir-te o nome
namorar-te tarde  bem tarde
quando a vida &#233; fardo
quando tudo &#233; tarde
eu te quero brisa
               breve tarde

poema e voz: wilton cardoso
poema incidental: tarde de maio (drummond)</itunes:summary>
    </item>
    <item>
      <title>Os gatos n&#227;o temem o escur&#233;u</title>
      <description>Os gatos n&#227;o temem o escur&#233;u,
Meninos n&#227;o sabem o que vem,
Brincam no caminho de um corcel
Bravo, que confuso se det&#233;m.

Se det&#233;m, mas n&#227;o se cont&#233;m.
Se det&#233;m, mas n&#227;o por muito tempo...
Tenaz urubu, suporta bem
Calmo o putrefar d&#8217;alma no vento.

Alma, cristalino vento em pedra,
Ao vento dissolve-se em sil&#234;ncio
E em vento sem vento volve cega.
Se corr&#243;i matando-se o tempo,

Se constr&#243;i tentando-se pr&#233;dio,
Tenta&#231;&#227;o que pouco dura, o lento
Esbater do vento sem rem&#233;dio
Abate-a num brando tormento

Ou num repentino e violento
Sacudir das pedras todas: trema
Solo outrora calmo, prado ameno;
Ap&#243;s, torne &#224; terra a calma plena.

poema e voz: wilton cardoso</description>
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      <pubDate>Fri, 01 Sep 2006 16:57:32 GMT</pubDate>
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      <itunes:summary>Os gatos n&#227;o temem o escur&#233;u,
Meninos n&#227;o sabem o que vem,
Brincam no caminho de um corcel
Bravo, que confuso se det&#233;m.

Se det&#233;m, mas n&#227;o se cont&#233;m.
Se det&#233;m, mas n&#227;o por muito tempo...
Tenaz urubu, suporta bem
Calmo o putrefar d&#8217;alma no vento.

Alma, cristalino vento em pedra,
Ao vento dissolve-se em sil&#234;ncio
E em vento sem vento volve cega.
Se corr&#243;i matando-se o tempo,

Se constr&#243;i tentando-se pr&#233;dio,
Tenta&#231;&#227;o que pouco dura, o lento
Esbater do vento sem rem&#233;dio
Abate-a num brando tormento

Ou num repentino e violento
Sacudir das pedras todas: trema
Solo outrora calmo, prado ameno;
Ap&#243;s, torne &#224; terra a calma plena.

poema e voz: wilton cardoso</itunes:summary>
    </item>
    <item>
      <title>o mal dos s&#233;culos dos s&#233;culos...</title>
      <description>&lt;img src="http://ruidosvocais.podOmatic.com/mymedia/thumb/36437/0x0_660294.jpg" alt="itunes pic" /&gt;&lt;br /&gt;&#160;poema e voz: wilton cardoso</description>
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      <pubDate>Thu, 31 Aug 2006 19:28:22 GMT</pubDate>
      <dcterms:modified>2008-06-09</dcterms:modified>
      <dcterms:created>2006-08-31</dcterms:created>
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      <dc:creator>wilton cardoso</dc:creator>
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      <itunes:summary>&#160;poema e voz: wilton cardoso</itunes:summary>
    </item>
    <item>
      <title>escrevi o mesmo livro</title>
      <description>escrevi o mesmo livro
a vida inteira
o crep&#250;sculo cai sobre a cidade
e um frescor sombrio me invade

crian&#231;as voltam da escola
o crep&#250;sculo desenha no horizonte
um c&#233;u vermelho   vivo   a vida toda
o mesmo ciclo de acasos e ocasos
a cidade banha-se de sombras
emba&#231;ando o arvoredo e a passarada

as pessoas v&#227;o descansar
para outra aurora
o v&#237;cio 
de viver dia ap&#243;s dia
a vida agora vida afora (a agonia)

a mesma sina a mesma estrada anoitecida
banhada de tristeza e salpicada
parcamente por um pouco de alegria
muito breve muito leve e fugidia

poema e voz: wilton cardoso</description>
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      <pubDate>Thu, 31 Aug 2006 16:01:15 GMT</pubDate>
      <dcterms:modified>2008-06-09</dcterms:modified>
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      <dc:creator>wilton cardoso</dc:creator>
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      <itunes:summary>escrevi o mesmo livro
a vida inteira
o crep&#250;sculo cai sobre a cidade
e um frescor sombrio me invade

crian&#231;as voltam da escola
o crep&#250;sculo desenha no horizonte
um c&#233;u vermelho   vivo   a vida toda
o mesmo ciclo de acasos e ocasos
a cidade banha-se de sombras
emba&#231;ando o arvoredo e a passarada

as pessoas v&#227;o descansar
para outra aurora
o v&#237;cio 
de viver dia ap&#243;s dia
a vida agora vida afora (a agonia)

a mesma sina a mesma estrada anoitecida
banhada de tristeza e salpicada
parcamente por um pouco de alegria
muito breve muito leve e fugidia

poema e voz: wilton cardoso</itunes:summary>
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